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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Parada's Garden: The Return Of The Yodas Concil - Part II /III

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Olá Berta,

Esta terça-feira, ou seja, ontem, fui novamente obrigado a sair do casulo, onde tenho estado confinado desde que o ano teve início, pois tive de ir à farmácia, por falta de um comprimido, de toma diária e obrigatória. Estava esgotado no domingo e ligaram-me a avisar da sua chegada 2 dias depois. Foi esta saída que me levou a escrever a carta de hoje a qual intitulei de:

“Parada’s Garden – The Return Of The Yodas  Council – Part II/III”

Quando uso a palavra yodas, não me estou a referir a velhos tolos e mentecaptos, atacados de Alzheimer e Esclerose Múltipla Aguda, que não sabem o que fazem (como muitas vezes são classificados pelos asnos, da nossa sociedade, de mente por vezes demasiado curta). Nada disso, muito pelo contrário, as palavras Yoda ou Yodas impõem o respeito por toda uma geração de anciãos e anciãs, que merecem o nosso absoluto esguardo e admiração porque, afinal, foram eles os responsáveis pela força de trabalho e de mão-de-obra, pelo pensar o país e nunca permitir que perdesse o rumo, nos últimos 50 anos. Mais, a eles e elas devemos o estarmos aqui, a lutar neste Estado de Calamidade, com a voz da experiência adquirida, de quem já travou muitas batalhas, de quem serve ainda de guardiã ou guardião milenar da nossa identidade enquanto nação, de quem porta, com orgulho a nossa bandeira enquanto país, de quem a ergue, bem alto, para que se veja e jamais se esqueça porque é que somos os Heróis do Mar e o Nobre Povo.

Os Yodas representam a sabedoria, a argúcia, a audácia e a experiência de Portugal. São eles, aliás, os guardiões e guardiãs da nossa mais pura identidade. Não os respeitar, ouvir e com eles aprender, para depois podermos evoluir um pouco mais, na direção presente que nos poderá conduzir a melhores futuros, é a condenação clara, inequívoca e evidente, à nossa estagnação enquanto povo.

Porém, por vezes, o descanso destes guerreiros de outrora, precisa ser acautelado pela sua própria descendência. É imperativo que os e as ex-combatentes de toda uma vida, quando descansam, o possam fazer em paz, conforto e segurança. Já não são eles a terem de se preocupar com isso. O acautelamento das condições de estabilidade está agora ao cuidado de filhos e netos. Foi para isso que eles e elas dedicaram toda uma vida.

Quando os séniores se reúnem em Concílio ou a jogar à Sueca nas mesas do Jardim da Parada, ou até a recordar a existência ou mesmo a falar do seu merecido repouso, nos bancos do Jardim da Parada, por exemplo, ou, simplesmente, a pôr a conversa em dia com vizinhos e vizinhas ou a mostrar as fotografias dos netos, seja lá o que for, é importante que o façam confiantes e em segurança. Ora, se a utilização das mesas de jogo e de leitura do jardim ainda estão vedadas e com fitas, a interditar o seu uso, se nos bancos da Parada, tal proibição de uso ainda se mantém, cabe à Junta de Freguesia zelar pelo cumprimento das normas impostas pela Calamidade Pública, decretada pelo Governo e, à PSP, que tem a esquadra a menos de 300 metros do local, avisar os mais distraídos de que a crise ainda não passou, por muito fartos da situação que todas elas e eles possam estar.

O dever cívico dos Yodas deve ser relativizado e ajudado a cumprir por todos, afinal, o peso dos anos, também ajuda a ver com mais benevolência a crise. É simples de entender, vindo de quem já enfrentou tantas outras no passado. O dever de alertar as anciãs e anciãos de que estamos em tempos de perigo é nosso, da nossa Junta de Freguesia, da PSP e Polícia Municipal. Não entendo porque é que a nossa autarquia não se articula com a PSP (que se localiza na porta ao lado da Junta) de forma a salvaguardarem os comportamentos no Jardim da Parada incluindo o uso das próprias máscaras por parte de todos…

Isto não é um mero conselho, é um imperativo. Temos de aprender a respeitar os nossos Yodas e a protegê-los do seu próprio cansaço ao confinamento. Passar-lhes a culpa de furarem as regras é como sacudir a água de um capote que é tanto nosso como deles.

Amanhã, minha querida Berta, termino este caminho pelo Regresso do Concílio dos Yodas ao Jardim da Parada, em Campo de Ourique. Deixo um beijo de despedida, deste amigo sempre presente,

Gil Saraiva

 

 

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