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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Os Malandros no Feminino - Conspirativa e Fatalista - Parte II/III

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Olá Berta,

No núcleo das malandras no feminino a Conspirativa consegue sempre ver uma razão perversa para as coisas acontecerem. Ao contrário do que se possa julgar, nem sempre estas senhoras acreditam nas suas próprias conspirações. Muitas vezes apenas associam coisas que podem parecer plausíveis de forma a tirarem partido de uma qualquer situação.

Guiadas pela sua dita intuição primária, à qual somam factos mais ou menos aleatórios, se bem que escolhidos a dedo, elas criam um mercado para introduzirem consultas, produtos ou soluções que face à dita conspiração se tornam rapidamente uma fonte rentável de valor acrescentado para si mesmas.

Porém, as Conspirativas Puras são ainda mais perigosas, porque tendem a acreditar cegamente na conspiração que produziram ou que tomaram de empréstimo de um boato que lhes pareça ter cabeça, tronco e membros. Se ainda se preocupam em tirar partido da situação, obtendo um lucro, o perigo que representam não é demasiado alto. Quando, todavia, se armam em profetas da conspiração, convictas das suas palavras, está criada a receita perfeita para a desgraça. Por sorte, poucas são as Conspirativas Puras que se deixam convencer pela sua própria malha de argumentos. Afinal, esta Intuitiva consegue arrastar com ela um sem-número de incrédulos e pode passar de malandra a perigosa.

O vetor composto pelas que radicalizam comportamentos negacionistas, alimentares ou orientais, são muitas vezes, simultaneamente, fundamentalistas nas suas crenças e modo de agir. Porém, a grande maioria faz desse acreditar uma forma de vida ou um negócio, devidamente vocacionado para o seu bolso. Cria uma necessidade nos seguidores e até uma dependência que lhes mantém o sustento e muitas vezes o enriquecimento.

São normalmente apelidadas de Fundamentalistas. Das várias metástases destas correntes que, em conjunto as constituem, destaco, como exemplo as Vegan. Se a Fundamentalista Vegan tem uma ervanária, um produto, uma profissão ou um negócio com o qual obtém lucros extra da sua malandrice, não constitui nenhuma ameaça social de relevo. Contudo, caso se trate de uma Fundamentalista Pura, o caso muda de figura. Com efeito, é fácil encontrar anoréticas, as que sofrem de bulimia ou de outras patologias alimentares, agarradas à orientação de uma Fundamentalista Pura, que não mede nem se importa com as consequências dos seus atos, abandonando o campo da malandrice para integrar um criminoso espaço radical, que pode causar vítimas mortais com relativa facilidade.

Conforme me expliquei, amiga Berta, quer as Conspirativas, quer mesmo as Fundamentalistas, quando mantém a sua atividade no universo da manha e do mundo dos Malandros, não representam qualquer perigo social. O problema vem, uma vez mais das puras e do leque absurdo de seguidores que geram. Por hoje, fico-me por aqui, despeço-me saudoso, como sempre, este teu grande amigo,

Gil Saraiva

 

 

 

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