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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Os "Cabrones" de "Monteros de la Cabra" - Montaria da Azambuja - Parte I/III

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Olá Berta,

Desculpa se me sirvo das nossas cartas para desabafar. Sinto que abuso um pouco da tua paciência e peço desculpas por isso mesmo. Todavia, como tu nunca te queixaste, cá vai mais um desabafo. Estas três cartas que te envio, de seguida, ficaram, devido à época que atravessamos, à espera da passagem do Natal, embora sejam datadas de 21, 22 e 23 de dezembro de 2020. Mesmo que a contenção no envio tenha sido propositada sei que entenderás que não era assunto para leres antes do dia de hoje.

Este desabafar é longo e para não ficar pesado dividi-o em três cartas. Não só te facilita a leitura, como dilui os impropérios que tenho que soltar cá para fora. Contudo, podes ficar descansada, não são dirigidos a ti.

Vou falar, isso sim, da montaria da Azambuja que foi notícia em todo o lado neste 21 de dezembro de 2020. Eu, que nunca consegui entender o apelo pela caça, mas que não sou contra a existência nem de caçadores, nem de caçadas, senti vontade de vomitar perante a carnificina relatada nos vídeos e nas imagens através do Facebook e posteriormente divulgadas pela comunicação social.

A Herdade da Torre Bela, na Azambuja, que já foi palco de Reforma Agrária e do memorável episódio da enxada, serviu agora de cenário à maior matança de animais de grande porte de que há memória em Portugal.

A organização espanhola, que dá pelo nome de “Monteros de La Cabra” trouxe para o país 16 caçadores, todos eles igualmente espanhóis, alguns dos quais vieram acompanhados pelas suas damas, para uma montaria que ficará registada nos anais da barbárie pelo abate repugnante de 540 cervos, veados e javalis.

Antigamente dizia-se, com alguma boa dose de xenofobia pelos nossos vizinhos espanhóis que: “de Espanha, nem bom vento, nem bom casamento.” Contudo, é por causa de ações como esta e outras de menor porte, mas não menos graves, realizadas no Alentejo pelos mesmos “Cabrones” que o ditado não morre e continua a prevalecer.

Por hoje fico-me por aqui. Despede-se este velho amigo que te tem em permanência no coração. Com um enorme beijo,

Gil Saraiva

 

 

 

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