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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: "Os Azares de um Homem de Sorte" - Parte II

Berta 345.JPG

(Legenda: A cara de totó de quem acabou de vir de férias e tem um monte de surpresas à sua espera. Diria Fernando Pessa: "E esta, hein?!")

Olá Berta,

Aqui estou eu de novo para te descrever a segunda parte das desventuras e d’“Os Azares de um Homem de Sorte”. Depois de todas aquelas horas gastas com a limpeza, higienização, desinfeção e aromatização da casa, fruto dos dezanove dias que a minha arca congeladora passou sem eletricidade, resolvi ir relaxar um pouco e sentar-me ao computador para saber das novidades do país e do estrangeiro.

Estava à demasiado tempo sem ler nada de notícias, com exceção das desportivas. Achei que um regresso à normalidade do meu usual quotidiano me faria bem e me aliviaria do stress que encontrara ao entrar no apartamento. Bem… enganei-me novamente. Ao ligar a máquina esta fez um pequeno barulho a indicar que iria arrancar e voltou a desligar-se, remetendo-se a um silêncio tumular.

Tentei mais duas vezes e o resultado continuou a ser exatamente o mesmo. Chateado, e a chamar nomes ao equipamento, que fariam corar uma varina, desliguei os cabos da torre e abri a máquina. O pó de vários anos, normalmente quente porque nunca costumo desligar o aparelho, tinha condensado definitivamente. Em vez de pó tinha agora umas placas de alcatrão (resultado da mistura do pó com o fumo dos milhares de cigarros que aqui fumei) a forrar tudo o que era ventoinhas do interior da torre.

Fui buscar o aspirador e tentei aspirar o máximo possível. Porém o pó e o fumo associados à humidade gerada por uma máquina fria tinham feito blocos em volta de tudo o que era ventilação. Os «cloolers» da placa gráfica e do processador estavam integralmente tapados por uma placa densa e negra de uma pasta estranha e malcheirosa.

Desisti finalmente de tentar resolver o assunto sem a ajuda de um técnico. Liguei o meu velho equipamento de reserva que funcionou à primeira e fui procurar um técnico que viesse a casa. Por fim, depois de várias tentativas e de muitos preços absurdos por uma assistência, consegui um informático particular fabuloso no OLX. O senhor Filipe Costa que se prontificou a dar-me auxílio, sem cobrar deslocação, logo na manhã do dia seguinte.

Ainda desanimado decidi ir ver televisão. Má escolha, o écran da dita cuja não dava sinal. Liguei para o serviço técnico da MEO e passei a hora e meia seguinte com o assistente a mandar-me ligar e desligar cabos, box, router e por aí em diante. Finalmente consegui ver televisão, descansado, no sofá. Tinham passado 8 horas e 15 minutos desde que abrira a porta de casa. No dia seguinte o Sr. Filipe (deixo o contacto para quem se sinta aflito como eu: 968 458 731), um técnico da velha guarda, passou mais de uma hora a limpar-me o computador. Finalmente fiquei com a torre a funcionar. No entanto descobrimos que a placa gráfica estava com problemas e que precisaria de ser substituída brevemente.

Decidi avançar para a reparação e aproveitar para colocar um disco de arranque mais rápido e fazer ainda alguns melhoramentos na minha peça de museu. Resultado: trezentos e vinte euros de upgrade e mais cinquenta de mão de obra. A somar ao prejuízo dos quatrocentos euros da arca no dia anterior, regressei de férias e iniciei um novo ciclo com um rombo no orçamento de setecentos e setenta euros no total. Uma maravilha.

Afinal minha querida amiga Berta, são «Os Azares de um Homem de Sorte”. O técnico foi-se embora e eu sentei-me ao computador para enviar um email para a Segurança Social que não podia esperar. Porém, o correio eletrónico teve de aguardar. Descobri que não tinha internet. Depois de mais quarenta e cinco minutos com a assistência da MEO fiquei a saber que a reconfiguração do dia anterior me desconfigurara a minha rede de internet. Por fim, quase já em desespero, consegui enviar o email desejado.

Como vês minha querida amiga, a Lei de Murphy continua atual e funcional: “quando alguma coisa corre mal, tudo corre mal”. Por hoje é tudo, despeço-me com um beijo saudoso, este teu amigo,

Gil Saraiva

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