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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Os Azares (Clínicos) de um Homem de Sorte - II/II

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Olá Berta,

Obrigado por teres respondido prontamente à minha carta de ontem. Com que então tu achas que a médica está a cumprir bem o seu papel e eu é que estranho porque nunca tive um médico de família. Muito bem, fico mais descansado se assim for.

Contudo, já se passaram mais coisas depois da carta de ontem. Acho que não te disse, mas desde que tenho médica já tive três consultas, todas por telefone, que a pandemia assim obriga e eu tenho, enquanto pessoa de risco, que me manter confinado. Ora ontem, depois de ter escrito, tive a minha terceira consulta de «telele». Foi a primeira vez que fui obrigado a contrariar a doutora.

Com efeito, a simpática senhora queria receitar-me um comprimido para me equilibrar o colesterol e os triglicéridos. Era coisa simples dizia-me, apenas tinha que tomar um todos os dias. Acontece que eu odeio comprimidos, ainda mais daqueles que são diários e que causam habituação (já me chega o «clopidogrel» para as plaquetas sanguíneas, por causa dos AVC).

A continuar assim, ainda me vai pedir para tomar um para a tensão e depois mais um para nivelar o açúcar e prevenir uma futura diabetes e sei lá o que mais. Tive que cortar a situação pela raiz e pedir-lhe informações (folhetos) para eu tentar reduzir, por mim mesmo as gorduras (que num ano, sem ajuda, já tinha passado para metade dos valores que antes apresentava). Não quis ser mal-educado, mas virar macaco de circo, a funcionar a comprimidos, não me parece saudável.

Podes dizer que é o meu mau feitio, mas não gosto muito que tomem decisões permanentes sobre a minha vidinha, mesmo confinada e, atualmente, pouco ativa. Só me falta que, na quarta consulta, me digam que tenho de deixar de fumar. Ora eu que, por causa da espera para a operação à vesícula, já tive que passar para álcool zero e quase o mesmo em gorduras, não posso agora largar assim todos os prazeres que me restam. Um dia destes dou por mim proibido de virar a cabeça na rua à passagem de um exemplar perfeito do sexo feminino. Não, não e Não! Esta situação tem de mudar de figura.

Com este desabafo me despeço, minha querida amiga Berta, recebe um beijinho virtual deste amigão do coração,

Gil Saraiva

 

 

 

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