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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Olá 2021!

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Olá Berta,

Na sequência da última carta que te enviei o ano passado, e que por acaso foi ontem, não quero que fiques a pensar que não estou a ser otimista. Com efeito, mesmo que este 2021 seja um ano ainda muito mau, ele pode ser a semente ideal para uma primavera deveras florida em 2022. Cumprir esse papel já fará dele um excelente ano, mesmo com toda a tragédia que ainda poderá e irá acontecer inevitavelmente, quer queiramos quer não.

Contudo, as expetativas são elevadas. Agora existem esperanças em vários âmbitos da vida mundial que não podíamos dar como certos no ano findo. A simples existência de uma vacinação, já em curso, anima as hostes, as mentes e os espíritos e é sabido que não há vírus que aprecie boa disposição e confiança no que à resistência à sua existência diz respeito.

Por outro lado, tudo aponta que vamos manter, aqui pelo burgo lusitano, o Professor Marcelo Rebelo de Sousa como Presidente da República Portuguesa, o que, não sendo eu um adepto de políticos de direita, pelo menos me descansa devido ao facto do homem ser uma pessoa às direitas, provido de coluna vertebral e de uma simpatia que se torna contagiante, mesmo para aqueles que não navegam pelas águas laranjas do PSD. Entre ele e as possíveis alternativas é inegável que qualquer comparação resulta em ridícula.

Para além disso começamos o ano na liderança da Presidência da União Europeia, o que é positivo visto que estamos em ano de diplomacia e de muitos desafios onde as estratégias de António Costa prometem entendimentos e acordos impensáveis, se tivermos como exemplo aquilo que foi a inovadora geringonça nacional.

Outro fator positivo é o facto de, mesmo com o Brexit, agora consumado, se manter válida a eterna aliança entre Portugal e a Grã-Bretanha, o mais antigo pacto existente no Ocidente entre dois países. Embora sendo um acordo que nunca nos favoreceu será, quiçá agora, que ele poderá finalmente vir a dar os tão desejados frutos.

Ainda a contribuir para um mundo melhor será a saída, a 20 de janeiro, de Donald Trump da Casa Branca. Regressaremos a um mundo certamente menos instável em que o único Donald a manter-se no ativo será o Pato Donald da Disney, personagem bem mais agradável do que a que agora deixa a presidência americana.

Por tudo isto, minha querida Berta, 2021 nunca será um ano tão mau como 2020. É com esta esperança que o teu amigo se despede, com um abraço do coração e os olhos postos em 2021, sempre ao teu serviço, com a mais elevada estima e amizade,

Gil Saraiva

 

 

 

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