Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: O Sr. Ferreira - Parte I/II

Berta 297.jpg

Olá Berta,

Não sei se costumas ouvir os programas sobre economia de José Gomes Ferreira. Também não imagino se costumas ler as suas crónicas de opinião no site da SIC. Eu não apanho tudo, mas vou acompanhando conforme posso. Desta vez, o Sr. Ferreira, dirige-se aos líderes do país com um pedido claro e em tom de clarim de corneta de parada militar, por altura de festejo relevante e assinalável. Transcrevo: “Importam-se de acordar para a realidade do país?”

Depois, do alto de toda a sua pompa e circunstância especifica para quem é a questão: Marcelo Rebelo de Sousa, Eduardo Ferro Rodrigues, António Costa e Rui Rio, respetivamente, Presidente da República, Presidente da Assembleia da República, Primeiro-Ministro e Líder da Oposição. Em resumo, o Sr. Ferreira, dirige-se apenas aos grandes protagonistas do nosso país.

A crónica é datada de ontem e é colocada em destaque pela SIC no seu site. Não tenho nada contra, aviso já, crónicas de opinião, desde que fundadas e realistas, mesmo que eu ache, seja por que motivos for, que esta ou aquela, em particular, não abordam corretamente os problemas que visam, nem se apresentam da melhor maneira ou descrevem pressupostos com os quais eu não concordo. O direito à opinião é inquestionável e torna-se inclusivamente muito relevante se for sério e bem fundamentado.

Contudo, apelos de cariz moralista, com laivos de sabedoria infalível e perspicácia de fazer inveja a qualquer falcão peregrino, vindos de um pertenço visionário das finanças e da economia nacional, já é coisa que me irrita. É esse, mais uma vez, o caso da crónica de opinião do Sr. Ferreira de ontem, publicada no site da SIC.

Se o Sr. Ferreira fosse um analista sério, com créditos firmados e comprovados, tal como um presidente da nação que já saiu do cargo, que nunca se enganava e raramente tinha dúvidas, eu, embora contrariado, dar-lhe-ia o benefício da dúvida. Mas o Sr. Ferreira é tudo menos isso. A memória dos portugueses pode parecer curta, mas nem sempre isso é verdade e, como já se tem provado muitas vezes, chega a ser bem longa.

Ainda ninguém se esqueceu das previsões calamitosas, do dito Sr. Ferreira, de total desgraça nacional, gritadas do alto do seu palanque na SIC, anunciando o caos que seria um governo socialista a funcionar graças a uma geringonça. As previsões então apresentadas iam, no melhor dos cenários, para a ruína nacional e gerariam uma ainda maior crise económica, pior do que aquela em que ainda estávamos e de que parecia difícil sair nesse tal de pós Troika.

Aliás, segundo as previsões deste fabuloso novo Zandinga da análise financeira e económica o primeiro governo de António Costa caducaria indubitavelmente em menos de um ano. Seria, enfim, a desgraça das desgraças.

Se ao menos o Sr. Ferreira assumisse que trabalha em prole dos interesses económicos de uma certa direita nacional, já não dava lugar a qualquer comentário por parte de ninguém. Agora vir invocar a sua independência e imparcialidade sem o conseguir demonstrar, enfim, não só é escandaloso como, em terra de gente séria, deveria dar direito a despedimento com justa causa.

Minha querida Berta, já me estou a alongar outra vez. Amanhã acabo esta minha conversa sobre o Sr. Ferreira. Estava-me a lembrar do que a minha mãe costumava dizer: “homem pequenino, ou velhaco ou bailarino”. Despeço-me com um beijo de até amanhã, recebe-o deste que não te esquece, saudosamente,

Gil Saraiva

 

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

Em destaque no SAPO Blogs
pub