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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: O Ser da Noite

Berta 290.jpg

Olá Berta,

Raramente te envio poesia nas cartas que te escrevo, mas já aconteceu e voltará, por certo a acontecer. Espero que te agrade. Não julgues que me esqueci que também tu gostas da noite.

----- ” -----

“O SER DA NOITE”

 

Para um vagabundo dos limbos,

Um haragano, o etéreo,

Um Senhor da Bruma,

A menina, enquanto mulher,

É a fragrância que lhes tolda a mente,

Fundindo-os a todos

Num ser ímpar que vive da sombra,

Buscando o odor feminino que,

Com a noite,

Lhe invade a razão,

Fazendo-o sonhar que o impossível

Apenas demora mais tempo.

 

Uma amálgama de sensações odoríferas

Onde a higiene, o perfume e sexo

Se transmutam num só cheiro,

Que embriaga o cérebro

E lhe desperta o corpo,

Tornando o mais pacato dos homens

Em predador feroz,

Sedento de uma presa que se anuncia

Na diáspora das sombras

E da bruma.

 

Tudo se desfoca na neblina da Lua,

Até a razão, a inteligência e o ego,

O instinto consegue fundir-se,

Em harmonia com o sentimento,

O amor com o sexo,

O animal com o racional,

Gerando aquela coisa estranha

A que se chama homem,

Esse urbano selvagem

Que busca insano

Pela alma gémea que o entenda,

Nessa demanda,

Consagrada pelos poetas,

A que muitos chamam de amor.

 

Enquanto mulher,

A presa torna-se armadilha,

Flor singular num jardim de espinhos,

Capaz de fazer sangrar a alma

Do mais empedernido predador.

Tornando-o escravo da demanda,

Doce vassalo e jardineiro

Que não teme os espinhos,

Os venenos, os caminhos sinuosos,

Da noite onde a bruma

Faz o papel de manto da Lua,

No jardim da essência emocional,

Rendida à paixão

A que simplesmente chama de sentimento.

 

A prosa de uma resposta

Transfigura-se em poema,

O sonho ganha moldes de imperfeita realidade,

O pensamento identifica-se como emoção,

O paradoxo vira quotidiano

E a mulher significa felicidade…

 

Para o ser da noite

A luz chega com o crepúsculo,

Na janela perdida,

Na bruma efémera de um luar.

 

Gil Saraiva

----- “ -----

Hoje, foi dia de poesia neste espaço de cartas e narrativas que normalmente te escrevo, querida Berta. Haverá, por certo, outros dias assim, nunca sei quando chegam, nem quando se vão. Por agora, vou-me eu. Recebe deste teu amigo o habitual beijo terno,

Gil Saraiva

 

 

 

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