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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: O Relógio de Haragano

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Olá Berta,

A teu pedido cá vamos nós entrar no capítulo das ciências ocultas, mais concretamente no Oráculo que constitui “O Relógio de Haragano”, uma junção de técnicas interpretativas, inspiradas no I Ching chinês e no Oráculo Egípcio.

Foi pelo desafio de uma amiga, editora de livros estrangeiros para a língua portuguesa, que me decidi a passar para o papel um método de cartomancia que uso e venho desenvolvendo e aperfeiçoando há mais de quarenta anos. Conforme ainda agora referi trata-se d’ “O Relógio de Haragano”.

Relógio porque tem por objetivo interpretar um determinado tempo de vida, de uma pessoa em concreto, num mapa de cartas que se dispõe em forma de relógio e lê no sentido do mesmo. A busca visa responder a questões para as quais o Consultante (a significar a pessoa que se dirige ao Oráculo para orientar a sua vida) procura respostas.

Embora o relógio possa ser usado para interpretar toda uma vida, passada, presente e futura, ele é usado mais correntemente para se cingir a um período temporal de quatro anos. Este percurso é analisado nas três vertentes do Tempo. Os seis meses anteriores e os seis meses posteriores à entrada do Consultante no Oráculo completam um período de um ano que se designa por Presente. Entre o início do sétimo mês anterior à visita e o fim do décimo oitavo analisa-se o Passado. Do princípio do sétimo mês ao fim do décimo oitavo posterior à consulta interpretam-se os caminhos possíveis de um Futuro.

O Relógio, mais do que uma forma de adivinhar e tentar ler a vida de alguém, funciona como um método interpretativo da existência do Consultante enquanto um ser que vive com as consequências do meio que o envolve e com as opções e respostas que ele próprio vai dando para se integrar nesse meio ou nele se distinguir. Pode mesmo dizer-se que a função do relógio é a de encontrar os caminhos mais acertados para que, o individuo que o procura possa fazer, mais conscientemente, as suas escolhas e tomar as melhores decisões que lhe propiciem uma vida melhor.

Mas não é nunca o Relógio que decide seja o que for. A decisão, a escolha das vias a traçar, está sempre na mão de quem o consulta. O Oráculo pode informar o Consultante que, segundo esta ou aquela interpretação, de um determinado conjunto de questões, a melhor opção é a via da esquerda e este tem total liberdade de o fazer ou não.

As escolhas do Consultante quando chocam com as apontadas pelo Relógio geram diferentes roteiros de vida dos previstos naquela consulta. E todo o caminho possível previsto pelo Oráculo poderá ficar irremediavelmente posto em causa. Mas esta decisão, de seguir ou não os passos indicados, é inteiramente da responsabilidade do Consultante e não lhe deve, em caso algum, ser imposta outra.

Afinal o Relógio apenas responde a perguntas e aponta para onde poderá ser melhor seguir, isto segundo a leitura que foi feita. Não determina nada. Para o Relógio a palavra Destino significa tão-somente futuro e não compartimenta ou acorrenta esse Futuro a qualquer previsão. O Futuro é algo que se constrói e não um roteiro traçado do qual não se pode fugir.

A filosofia do Relógio é a de poder servir de mapa, de GPS, um determinado comportamento, ou vários, do Consultante rumo a um Destino (leia-se Futuro) que este deseja melhorado ou reencaminhado numa nova e melhor direção.

Haragano, porque permite a livre escolha por parte do Consultante. Não o vincula, deixo-o seguir em liberdade as suas opções e apenas reporta quais deveriam ser as escolhas tendo em conta os objetivos de quem o consulta. Sendo um haragano, um cavalo selvagem que dificilmente se deixa domar, um ermita ou um vagabundo que não tem rumo aparente, assim poderá ser o Consultante, optando ou não pelo que lhe é dito ou recomendado.

Em 38 anos de uso deste método, cada vez mais aprimorado, nunca tive, até hoje, uma reclamação de ninguém. Pode ser por uma questão de sorte, mas eu acho que tem mais a ver com o cuidado que é posto nas interpretações. Contudo, na realidade, não sei o porquê de tal acontecer.

Espero que tenhas ficado com uma ideia do que é este método de cartomancia. Por hoje é tudo, com um beijo me despeço até amanhã, minha querida amiga,

Gil Saraiva

 

 

 

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