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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: O Regresso do Rei

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Olá Berta,

Uma boa tarde para ti, minha querida amiga. Espero que, quando receberes esta carta, te encontres bem e a aproveitar essas férias maravilhosas. Eu continuo na mesma, uns dias estou fino outros menos bem. Enquanto não conseguir ser operado à vesícula vai ser assim, quer queira quer não.

Não sei o que faria se não tivesse alguém com quem desabafar. Isto de se guardar tudo cá dentro deve entupir muitos canais, certamente. Falo assim, porque me sinto sempre muito mais aliviado e tranquilo depois de te escrever, amiguinha. Melhor ainda quando recebo as tuas respostas, que muito agradeço.

Hoje, vim propositadamente para te falar de nós, enquanto povo, pois somos realmente uma gente de brandos costumes. Depois de vivermos mais de um século numa república laica e tolerante, cujo aniversário será dos 110 anos será já a 2 de outubro próximo, continuamos a ter o herdeiro ao trono luso a aparecer na nossa imprensa floreada e a ter um tratamento diferenciado por ser quem é, mas também recebemos de braços abertos o Rei Emérito da vizinha Espanha.

Juan Carlos regressou a Cascais onde se exilou, de livre vontade, segundo dizem as letras gordas de alguns jornais cá do nosso burgo e até aplaudo a ausência  de burburinho.

Longe vai o tempo em que os espanhóis eram nossos rivais e mesmo inimigos. Longe vão os conflitos da independência nacional, da guerrilha na conquista marítima e da subjugação aos 60 anos dos Filipes de Espanha. Aceitamos tudo para que não nos chateiem. Aceitámos deixar Ceuta, Olivença, até mesmo a Galiza sobre o domínio espanhol, entre outros territórios, só para não termos de nos incomodar mais do que a conta. Como aceitamos hoje o regresso do velho monarca às suas terras em Cascais. Tudo na maior calma e passividade.

Estou certo que muito brevemente, se é que ainda não aconteceu, o monarca, sua majestade emérita, terá a visita do seu amigo Francisco Pinto Balsemão. Porque a camaradagem e os laços da juventude não desaparecem com a idade. Se forem genuínos até se fortalecem. Hoje, ambos com 82 anos, devem ter muito que recordar sobre tempos idos e sobre as aventuras conjuntas de tempos passados, daqueles que já lá vão.

Minha cara amiga Berta, sabes… eu gosto mesmo deste nosso país à beira mar plantado, que não apenas arde com os fogos do verão, mas que arde no coração de um povo que gosta de receber, de rir e de amar. Somos um povo de brandos costumes, espero que assim continuemos a sê-lo, independentemente de tantos problemas que nos rodeiam e cercam, tentando minar a nossa paciência.

Com este voto me despeço, cara amiga, amanhã cá estarei de novo para o desabafo do dia. Recebe um beijo deste que sempre pensa em ti,

Gil Saraiva

 

 

 

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