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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: O Oraculo

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Olá Berta,

Conforme sabes eu tenho dedicado especial atenção à evolução da pandemia no país e no mundo. Faço-o desde a primeira hora, desde a altura em que ainda não existia nenhum caso registado em Portugal. Mês após mês tenho feito, como se fosse um entendido na matéria as minhas previsões e, para meu próprio espanto, não tenho andado muito longe do que tem acontecido.

A significar alguma coisa, seja lá o que for, tal não faz de mim um analista especializado, nem me transforma de um oráculo da pandemia, apenas quer dizer que tenho tido a sorte de fazer uma boa leitura da informação que vou colhendo. Isso não quer dizer que, mais cedo ou mais tarde eu não me engane redondamente numa previsão e até admito que o engano seja monumental.

No entanto, a minha próxima previsão arrepia-me ao ponto de esperar que seja desta vez que eu me engano redondamente. Normalmente tento antever os números de infeções e de óbitos com três tipos de prazos. Primeiro o curto prazo, para o qual projeto um espaço de 12 dias, depois o médio que é de 36 e o longo de 108.

Faço este exercício quer para o país quer para o globo em geral. Ora, hoje, enquanto esperava pela chegada da noite eleitoral, decidi fazer mais uma dessas previsões. O resultado do curto prazo para a nossa terra lusitana foi tal que já nem fiz mais nada. Segundo os meus cálculos algures até sexta-feira, cinco de fevereiro, nós atingiríamos os mais de 20.000 infetados diários e para cima de 500 óbitos em vinte e quatro horas. Um absurdo tão gigantesco e de tal forma dantesco que só me posso ter enganado.

É o que dá quando nos pomos a tentar adivinhar o futuro sem termos os elementos de cálculo dos especialistas. É claro que devo ter feito algo de errado, só me irrita não ter descoberto onde me enganei. Se te falo no assunto é para que saibas, que mesmo quando dou a minha alegada opinião sobre algo, não me considero com isso o senhor da razão e da verdade. Dou, quanto muito a minha opinião, o que já não é mau de todo.

Por hoje é tudo, minha querida Berta, despede-se, com um beijo de saudades, este teu amigo sempre ao dispor daqueles a quem quer bem,

Gil Saraiva

 

 

 

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