Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: O Malandro Tipicamente Português - A Grande Besta e o Grão-Mestre - Epílogo

Berta 413.jpg

Olá Berta,

Conforme te comuniquei ontem resolvi acrescentar mais uma carta sobre a saga do Malandro. Primeiro porque me falta falar ainda do Malandro mais conhecido por “A Grande Besta” e depois porque acho que o assunto necessita mesmo de um Epílogo.

“A Grande Besta” não é, em si mesma, mais uma categoria no mundo dos Malandros. Este homem tanto pode ser um “Criador de Esquemas”, um “Casanova”, um “Chico-Esperto”, um “Marginal de Trazer por Casa” ou um “Homem da Noite”, ou vários deles misturados, porém, o que o carateriza é a sua falta de jeito seja para o que for, por mais que tente e se esforce.

À “Grande Besta” falta tudo: esperteza, argúcia, inteligência, “savoir faire”, modos, subtileza, jeito, contactos, charme, discrição, enfim, tudo mesmo. Trata-se de alguém que achou que podia ser malandro, mas sem possuir a devida vocação. Normalmente, ao fim de algum tempo sem qualquer sucesso, desiste ou acaba por cair nas malhas do crime e do banditismo. É trapalhão, troca-tintas, abrutalhado e mesmo burro demais para possuir o elevado padrão de qualidade exigido a um Malandro que se preze. Daí os “clientes” usarem com ele, com bastante frequência, a expressão de minha “Grande Besta”, que efetivamente o carateriza, nesta que é uma carreira de exige “finesse”.

Há ainda que referir, minha querida amiga Berta, em modo de elogio final e de verdadeiro Epílogo, o Grande Malandro. Trata-se do verdadeiro Mestre na carreira. Ele consegue ser o “Criador de Esquemas”, o “Casanova”, o “Chico-Esperto”, o “Marginal de Trazer por Casa” ou o “Homem da Noite” simultaneamente. Conforme as circunstâncias assim ele age com a destreza e a agilidade de uma pantera negra. São muito raros estes mestres.

Todavia, aqui e ali, lá vamos indo ouvir falar de um ou outro que despontam por este mundo fora. Este é o Malandro dos livros policiais de Leslie Charteris, conhecido pelo nome de Simon Templer ou o Santo. Também aparece como o ladrão cavalheiro nas aventuras rocambolescas de Arsène Lupin, do escritor Maurice Leblanc.

Estes exemplos a que poderíamos acrescentar o espírito de Robin Wood, são a essência do Grão-Mestre da Malandragem, enfim, o Grande Malandro, rei e senhor entre todos os que trabalham na margem da lei, incluindo os malandros, malandrecos e afins.

E com estas anotações finais termino, amiga Berta, este Epílogo sobre a saga do Malandro, que pouco tem a ver com bandidos, corruptos, traficantes, assassinos e torturadores que invadem diariamente as notícias e os noticiários em todo o globo. Deixo um beijo saudoso, deste amigo teu,

Gil Saraiva

 

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

Em destaque no SAPO Blogs
pub