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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: O Malandro Tipicamente Português - O Chico-Esperto - Parte IV - IV/VI

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Olá Berta,

A próxima personagem da minha coleção de tipos de Malandro, chega hoje ao «Chico-Esperto» nesta que é a quarta parte da narrativa, que te envio com gosto por saber que te tem agradado.

Ora, o herói de hoje é um sujeito com uma capacidade de adaptação acima da média. Sendo igualmente um ás do oportunismo imediato. Não planeia a longo prazo, nem tem paciência para criar armadilhas. Nada disso. Ele é o rei do momento, da ocasião e da conjuntura.

Se os ventos estiverem a seu favor, ele apresenta-se com o seu arrogante ar de sabidão, normalmente agreste, superior e deliberativo como se tivesse o rei na barriga e certo de que a sua opinião é a mais válida.

Ao contrário do «Criador de Esquemas» e do «Casanova», este Malandro não cai na graça de quem o conhece, nem sequer tem o respeito dos seus públicos. Seus apenas porque ele os considera seus, diga-se, na boa da verdade. A forma como consegue enervar todo um grupo de pessoas não o torna popular, muito pelo contrário.

É muitas vezes criticado e arrasado quando erra. Afinal, estão todos fartos da gabarolice que lhe é caraterística e de uma altivez que não faz por merecer e que jamais se justifica. Só o ar deste Malandro já irrita quem se encontra na sua presença. Na verdade ninguém aprecia um sabidão.

Os únicos indivíduos deste grupo que verdadeiramente têm sucesso são aqueles que não se apresentam em estado puro. Os mistos. Um «Chico-Esperto» que ao mesmo tempo seja um «Criador de Esquemas» em vez de irritar é cómico, sarcástico e satírico nas alturas certas, trazendo risos e sorrisos aos que o rodeiam. Nesta mistura especial a arrogância dá lugar à boa disposição e a prepotência é substituída pela voz oportuna, sem a vaidade caraterística do seu parente puro e duro.

O mesmo acontece com o Malandro misto, que para além de Chico-Esperto é simultaneamente um Casanova. Esta fusão de tipos resulta num género de Casanova que normalmente chega com facilidade a uma situação de fortuna ou mesmo de verdadeira riqueza. É aqui que se encontram os verdadeiros mestres do golpe do baú. Não têm a vaidade do tradicional e puro Casanova, e são peritos em camuflar as suas verdadeiras intenções. É com facilidade que os encontramos nos notários, nas leituras de testamentos, apresentando-se como herdeiros inesperados de falecidas mulheres abastadas.

Há muitos destes sujeitos entre elementos religiosos, principalmente padres, ao contrário do que seria de esperar. Muitas vezes, sem que ninguém entenda bem porquê, são os primeiros herdeiros das beatas que pululam em seu redor como ovelhas em rebanho.

Com a história do rebanho me despeço, deixando um até amanhã carinhoso e sorridente. Recebe um grande beijo deste velho amigão das horas boas e más, sempre ao teu dispor,

Gil Saraiva

 

 

 

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