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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: O Malandro Tipicamente Português - O Casanova - Parte III - III/VI

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Olá Berta

Grato por reconheceres tão bem esta personagem da minha pequena saga. Com efeito, ao entrar na terceira parte, é tempo de falar do Malandro tipo «Casanova», o qual, embora dedique grande parte do seu tempo ao género feminino, armado em gigolo, em pintas ou em macho latino, muitas vezes alastra a sagacidade às outras áreas abrangidas pela sua atividade, a modos que profissional. Não é difícil vê-lo a aproveitar uma ocasião para dar um ar da sua graça como «Criador de Esquemas», entre outros tipos do seu vasto reportório.

O “Três-Bêços” e o “Zézé Camarinha” são duas das estampas lusas que se tornaram famosas aí pelas praias, aldeias, vilas e cidades do Algarve onde te encontras, amiga Berta. O «Casanova», se conseguir amealhar alguma riqueza, vinda das suas relações amorosas, não a rejeita nem despreza, pelo contrário, demonstra com atos e palavras o seu profundo agradecimento à vítima, digo, à namorada da altura.

A grandeza do Casanova está em conseguir obter o máximo proveito, seja ele de cariz económico, social ou simplesmente amoroso ou sexual, sem que a sua companheira do momento o veja como um oportunista sem préstimo. Se for ela a ir fazendo voluntariamente as ofertas, sem que ele fale diretamente no assunto, é porque desempenhou o seu papel com perfeição e profissionalismo.

Os exemplos algarvios de que te falei atrás chegaram, cada um com as suas variantes, a receber carro, barco e moradia de presente, de várias das suas princesas e não apenas uma delas, apenas e só porque os queriam ver felizes e melhores na vida. Tudo sem que qualquer pedido fosse feito da parte deles. Jamais! A arte estava em ter tudo sem nada, nem uma vez que fosse, pedir às ditas queridas.

Uma vez, num café muito conhecido da cidade de Faro, e que hoje já não existe, presenciei a mestria de um deles a convencer uma Bifa (nome que os Marialvas davam às inglesas) a convidar uma amiga para, em conjunto, viverem um verão a três. A coisa levou cerca de uma hora e foi feita com tal lisura que só mesmo alguém muito atento é que perceberia que a ideia não fora da senhora, mas do garboso meliante.

O Casanova típico nunca aborda diretamente uma presa. Pode até meter conversa para pedir um cigarro ou um isqueiro ou para perguntar as horas. Com essas solicitações lança um ténue elogio à dama, faz uma ou outra observação jocosa e, se a mulher não inicia conversa afasta-se novamente. Essa que parece ser a pior hipótese é muitas vezes a sua melhor arma. Pois numa segunda ocasião em que encontra a mesma pessoa, o seu reconhecimento desta gera normalmente empatia e diálogo mais fácil. Daí a levá-la para a cama está a grande diferença entre um Casanova e um fala-barato.

Podia contar-te muito mais destes imanes do sexo oposto, mas o que escrevi é suficiente, minha querida amiga, para facilmente reconheceres o género. Termino com o envio de um forte abraço, este que não te esquece,

Gil Saraiva

 

 

 

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