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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: O Malandro Tipicamente Português - O Malandro e a Intuitiva - Parte I - I/VI

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Olá Berta,

Hoje, neste dia 7 de dezembro dou início a um ciclo de seis cartas, incluindo esta, se os meus cálculos estiverem corretos, sobre uma personagem tipicamente lusa: o Malandro. Já o tinha abordado há poucos dias, mas só para o usar como exemplo de como faz parte de um certo espírito nacional inventar o melhor esquema para contornar uma situação. Ora o Malandro agrega um lote alargado de tipos que não se esgota no típico dono do melhor esquema.

Porém, antes de dar início à temática, porque o Malandro é essencialmente homem, não queria deixar de referir que do lado feminino existe uma outra corrente que concorre diretamente com este, na primazia de quem decide à margem, seja da lei e da ordem, seja da ciência e do conhecimento, seja mesmo da lógica.

Na mulher o papel do Malandro é essencialmente ocupado pela inspirada «Intuitiva», onde se incluem aquelas que defendem as teorias da conspiração, as que radicalizam comportamentos negacionistas, alimentares ou orientais, as energéticas de inspiração parapsicológica, as exotéricas, as espirituais ou as de fé, a quem se juntam ainda algumas malandras, que agem da mesma forma que os ditos malandros, e as referidas intuitivas, de sexto sentido apurado que, mesmo sem estarem na posse da verdade seja lá do que for, acham-se as detentoras da razão primária.

Intuitiva e Malandro, contudo, não se devem confundir com gente sem escrúpulos, com criminosos ou com gente do mal e do piorio. Nada disso, são pessoas comuns, como muitos de nós, que tendem a pensar que lhes assiste o direito de escolher o seu caminho alternativo. Ora, se esse caminho colidir com o status quo, instituído e normalizado na sociedade, isso é algo que ultrapassa o interesse destas pessoas, para as quais o que importa mesmo é a sua própria forma de pensar.

Se tiveres interesse, amiga Berta, numa outra altura, poderei dedicar-te algumas cartas sobre a «Intuitiva» porque se trata de um género luso deveras interessante, se bem que, com nuances enormes no seu seio. Mas esta série de cartas é mesmo dedicada ao Malandro.

As categorias principais deste personagem são, a do «Criador de Esquemas», a que se segue o «Casanova», o «Chico-Esperto», o «Marginal de Trazer por Casa», o «Homem da Noite» e, o pior de todos, a «Grande Besta». Todavia, convém esclarecer e insistir, que embora, nos casos extremos, algumas destas categorias de malandros possam ter elementos mais radicais que entram na verdadeira marginalidade e no crime deliberado, não é essa franja menor que pretendo abordar.

Por hoje é tudo, minha querida Berta, mas amanhã continuo esta demanda fascinante sobre o Malandro luso. Despede-se com um beijo, este amigo de sempre,

Gil Saraiva

 

 

 

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