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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: O Estado de Emergência e a Deputada Não Inscrita...

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Olá Berta,

Sabias que estamos quase, quase, a fazer 6 meses de correspondência? Pois é, minha querida, não sei como ainda me aturas. De qualquer forma, fico-te muito grato. Não é fácil ter uma leitora paciente e atenta aos meus desabafos durante tanto tempo. Escolhi o dia de hoje para regressar a um tema de que já não falava tem imenso tempo. Estou a referir-me à deputada Joacine Katar Moreira. Já te falei dela no passado, se bem te lembras.

Joacine, a deputada, é aquela senhora que acusa todos os que a criticam de racistas, xenófobos, machistas, entre outros impropérios que lhe são tão queridos e comuns no seu abastado vocabulário, como se a vaidade, a petulância, a tacanhez, a ganância, a arrogância e a estupidez tivessem preferência pela cor da pele.

Na realidade, ela desconhece que qualidades e defeitos não escolhem idades, raças, sexos ou credos para se instalarem. Uma verdade tão pura como as águas de uma fonte, em plena serra, no meio da natureza. Todos temos coisas muito boas e outras muito más nos nossos feitios. Porém, quando se é figura pública, com ou sem merecimento, o radar é sempre muito mais escrutinador e a peneira sobre o que somos e fazemos extremamente mais fina. Ora, o cuidado com as nossas atitudes e atos tem, por isso mesmo, de ser redobrado, triplicado ou mais até.

A mim pouco me interessa se a menina Moreira é uma negra bonita ou feia, que veste bem ou mal, que gagueja ou não. Nada disso é relevante para o caso. O que me importa é o que ela pensa, as atitudes que toma, as causas que defende e como tem tratado aqueles que a elegeram nas urnas em 2019. Por outro lado, para ser bem claro, repudio veementemente todos aqueles que a compararam a símios africanos, selvagens e vingativos para com a comunidade branca que, por acaso, é maioritária em Portugal. Acho isso abjeto e sem qualquer sentido que não o de um racismo primário, totalmente condenável e repulsivo.

Deves estar a pensar porque falo eu da menina Moreira nesta altura? Falo, por causa da sua nova tentativa de se colocar em bicos dos pés ao votar contra a revalidação do Estado de Emergência em Portugal. Diz assim a deputada não inscrita: «O Estado de Emergência veio reforçar a vulnerabilidade social e financeira de milhares de cidadãs e cidadãos. Serve apenas como uma espécie de alvará para despedimentos em massa».

É pena, que a incompetência consistente e reiterada, não possa ser considerada uma justa causa para se poder acabar com um mandato de um deputado. É pena ouvir demagogia baratucha da boca de alguém que devia servir apenas e não se servir de quem a elegeu, usando a palavra para lançar chavões antigos e obsoletos, nesta altura e no atual estado da nação.

No meu alegado entender a menina Moreira, deputada não inscrita na Assembleia da República, tem, durante o decurso do seu mandato na AR, executado um péssimo papel na defesa das mulheres, na luta antirracista e na representação de quem a elegeu. Embora as opiniões sejam apenas isso, opiniões, a minha é de que esta senhora é uma pessoa de uma vaidade extrema, de um egoísmo nervoso, de uma incompetência total, de uma petulância absurda, de uma tacanhez revoltante, de uma arrogância sem explicação e, finalmente, de uma estupidez consideravelmente a cima da média.

Mas isto é apenas a minha opinião e vale o que vale. Em sua defesa apenas posso dizer que existem mais casos deste calibre na nossa Assembleia da República, ou seja, embora sendo a única deputada não inscrita na AR, outros há que fariam uma excelente companhia a este triste exemplo, felizmente, sim, felizmente, não é algo generalizado pelas galerias do parlamento nacional.

Despeço-me com a saudade imposta pelos confinamentos sociais e pela ausência de demonstrações de carinhos presenciais, este teu sempre amigo,

Gil Saraiva

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