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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: O Colecionador de Beijos - Introdução - Parte III - V/VII

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Olá Berta,

Termino aqui a apresentação inicial do livro “O Colecionador de Beijos”. Depois desta carta apenas ficam a faltar mais duas outras referentes à conclusão do ensaio sobre o beijo e respetiva bibliografia. Assim sendo aqui vai a terceira e última parte da introdução.

 

“Introdução

 

Na Igreja Católica, o beijo pode ser um sinal de reverência, ao se beijar, por exemplo, o anel do Papa ou de membros da alta hierarquia eclesiástica. Já os romanos da Antiguidade tinham 3 palavras para beijo, “basium”, “osculum” e “suavium”, se o primeiro se dava entre conhecidos, o segundo era apenas partilhado entre os amigos íntimos e o terceiro destinava-se em exclusivo para os amantes. Aliás, o beijo tinha um papel nas lides do poder romano, com efeito, somente os nobres mais distintos podiam beijar o imperador nos lábios, os restantes tinham de se contentar com um beijo nas mãos e os súbditos apenas tinham direito a beijar o seu soberano nos pés. Efetivamente a partilha de beijos entre guerreiros, quer na Grécia, terra onde o beijo tinha um papel fundamental, quer em Roma, era comum no regresso das campanhas. Consta, também, que na Suméria, a antiga Mesopotâmia, os beijos serviam como prendas aos deuses.

Já na Rússia Czarina o beijo era uma verdadeira demonstração de poder porque, um beijo do Czar, traduzia uma das mais prestigiadas honras imperiais. O beijo era tão importante que, por exemplo, em França, no decorrer do século XV, os nobres tinham o privilégio de poderem beijar todas as mulheres que quisessem. Porém, na Itália medieval, um homem cavalheiro que beijasse uma dama em público era imediatamente obrigado a contrair o matrimónio, o assunto era tão sério que o costume se espalhou a uma grande parte do povo. Porém, na Escócia medieval era costume o padre beijar os lábios da noiva no final da cerimónia de casamento para haver felicidade conjugal.

Durante o copo de água, e ainda em prole da felicidade, a noiva devia beijar na boca todos os homens presentes, trocando cada beijo por uma quantia em dinheiro.

No caso português, e já no Brasil, D. João VI introduziu a cerimônia do beija-mão. Assim, em determinados dias, o acesso ao Paço Real era conferido a todos os que desejassem apresentar alguma demanda. Nessa ocasião, em sinal de respeito, tanto os nobres, como o povo, e até os escravos, tinham que lhe beijar a mão direita antes de fazerem o seu pedido. Esse costume foi mantido por D. Pedro I e por D. Pedro II. Porém, a troca de beijos entre portugueses e índias, no Brasil, era mal visto por estas, que achavam o ato nojento, quer por estarem habituadas a cheirar o corpo do parceiro, em busca das feromonas do sexo oposto, em vez de usarem os beijos, quer porque contraíam uma parafernália de maleitas vindas do continente europeu por via dessa troca.

Podemos encontrar o beijo representado e apresentado nas diferentes formas de arte, seja na pintura onde o génio da pintura Gustav Klimt deu cartas, como escultura, com Rodin, na literatura com imensos autores de diferentes épocas, na sétima arte e nas redes sociais. Pelo que investiguei o beijo propaga-se cada vez mais pelo mundo e até já tem um dia próprio. O Dia Internacional do Beijo a 13 de abril de cada ano. O ato de beijar em público é generalizado no mundo ocidental e nos territórios ocidentalizados dos diferentes continentes, mas cerca de dez por cento da humanidade simplesmente não usa o beijo e cerca de vinte e cinco por cento só o faz na esfera privada e íntima. O oriente é a zona do globo onde a prática pública do beijo apenas se encontra nas grandes urbes e mesmo aí, vê-se quase exclusivamente entre casais jovens ou em grupos onde a presença de pessoas de mais idade não se verifica.

Porém, o mais comum, hoje em dia, na cultura ocidental é o beijo ser considerado um gesto de afeição. Entre amigos, é utilizado como cumprimento ou despedida e entre amantes e apaixonados beija-se como prova da paixão, de agrado ou de dedicação. Resta-me desejar uma boa leitura deste ensaio jornalístico e literário, onde se apresentam, numa visão possivelmente esclarecedora, 435 beijos, esperando que este livro possa contribuir para um melhor entendimento cultural e sociológico e uma mais apurada compreensão das afinidades e das consequências desse fenómeno espetacular a que chamamos beijo. Mas passemos ao conteúdo...”

Assim chega ao fim esta introdução e com ela, sempre saudoso, me despeço uma vez mais, este teu amigo do dia-a-dia,

Gil Saraiva

 

 

 

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