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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: O Colecionador de Beijos - Introdução - Parte I - III/VII

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Olá Berta,

Continuando na saga de “O Colecionador de Beijos” segue a primeira parte da introdução ao livro. A minha decisão de te enviar a introdução em três partes prende-se com o facto da mesma ser um pouco extensa e de eu não querer abusar da tua paciência. Assim, cá vai: introdução -Parte I.

 

“Introdução

 

O Colecionador de Beijos, ensaio jornalístico e literário, de matriz sociológica, do ato de bem beijar, procura a vertente sociológica e cultural, não perdendo as raízes históricas e a composição literária e humanista do beijo. Não é, porém, um ensaio académico de base científica porque, objetivamente, nunca o poderia ser. Por mais que se tente não se consegue sintetizar ou analisar, o beijo, nem mesmo o ato de beijar, isoladamente, sem ter em conta toda a imensidão de afetos, respostas sensitivas e sensoriais que o rodeiam e influenciam.

O beijo é um produto composto e, embora se apresente com uma identidade singular, muita tinta precisa de correr para que ele se realize numa das suas tão variadas formas e feitios. Diferente seria se estivesse a escrever um ensaio sobre a introdução sociológica do papel higiénico na sociedade portuguesa. Aí sim, teríamos à mão um produto final que poderia ser analisado de um modo bem mais académico, sistematizado cientificamente e enquadrado com razoáveis limites de precisão em termos históricos, sociológicos e culturais, fosse ou não a analise ensaísta literária e jornalística.

Mas não é esse o caso aqui. Nem poderia ser, derivado da imensa complexidade que o mais simples beijo exige. Por isso, este ensaio, é declaradamente um ensaio jornalístico e literário de análise sociológica, humanista e cultural. Pode-se até incluir uma lufada sistematizada de psicologia e inteligência emocional, mas não há, no meu entender, maneira de ir mais longe num ensaio que verse esta temática, usando esta abordagem.

A pergunta que esta introdução deixa no ar é a seguinte: É ou não relevante o beijo no contexto do comportamento humano em sociedade? Proponho-me a demonstrar que a resposta é afirmativa sem qualquer margem para erro, mesmo nas sociedades onde o beijo só é praticado na privacidade do lar ou do leito conjugal. Se analisarmos, por exemplo, o Japão tradicional e conservador vamos descobrir que o beijo, não sendo um ato público, continuou determinante portas dentro, no seu papel aglutinador de um determinado par ou no seio de uma família. Só agora, ainda a título de exemplo, é que, no país do Sol Nascente, já 28% dos jovens urbanos se beijam em público e, mesmo assim, só se não se encontram sob o olhar atento dos progenitores. Mas se este é um comportamento fruto da globalização, dos filmes e das redes sociais, está ainda a léguas de se tornar efetivamente uma conduta tipicamente japonesa.

Tendo iniciado a minha atividade jornalística em 1981, há trinta e oito anos atrás, e tendo conseguido a carteira profissional em 1996, exatamente quinze anos depois do início, conforme a lei da altura o previa e regulamentava, julgo poder afirmar, com segurança, que a realização deste ensaio tem, na experiência acumulada, base suficiente para poder vingar. Ainda para mais que, muitos desses anos, foram passados no âmbito da investigação jornalística, para jornais locais onde o apuramento da verdade dos factos ou dos feitos é muito mais importante do que nos grandes títulos nacionais. Como a minha atividade académica, a nível universitário, se pautou por cerca de 18 anos de estudo interessado, fosse no Curso de Direito em Coimbra, nos Estudos Portugueses, Cultura e Expansão em Faro, na Filosofia no Porto ou na Psicologia Clínica no Polo Universitário de Loulé, julgo poder afirmar ter garantido uma plataforma estrutural suficiente para, conjuntamente com a experiência jornalística, conseguir desenvolver este projeto de forma cabal e conseguida. Porém, a minha convicção não deixa de ser apenas e somente uma mera opinião sobre um tema que me é caro.”

Despeço-me até amanhã com o costumeiro beijo da praxe, com muito carinho, o teu eterno amigo,

Gil Saraiva

 

 

 

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