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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Notas do Diário Secreto do Senhor da Bruma - Excerto 2

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Olá Berta,

Viver na minha adorada aldeia de Campo de Ourique tem a serenidade plena de quem vive no campo, a que, por sorte, se juntam alguns dos confortos da cidade. Não me custaria tanto esperar pela minha famigerada, e sempre adiada operação à vesícula, se não fosse o receio de uma nova inflamação poder aparecer, levando a novos dias de calvário e de dor extrema. Mas até com o medo se aprende a viver, afinal, o que não pode ainda ter remédio remediado está… até poder acontecer.

Fiquei contente em saber que te agradaram as notas do diário que te enviei. Hoje prolongo essa divulgação com outras revelações e apontamentos. Espero que te ajudem nestes tempos de pandemia.

Notas do Diário Secreto do Senhor da Bruma - Excerto 2

Os “Estudos” que se afirmam detentores da verdade:

Anda por aí a correr, nessa coisa das redes sociais, um estudo onde se afirma que 90% dos apoiantes da extinção das touradas possui essa sua convicção por ser contra a exposição pública de animais portadores de um par de cornos. Sou levado a pensar que se trata de “Fake News”. Acho uma percentagem muito alta, exagerada e fantasiosa. Afinal, se fosse 90% contra o par de bandarilhas, ainda tinha a sua lógica. Já a exposição pública, a quem queira ver ou saber, dos ornamentais cornos parece-me inócua, ao fim ao cabo, eles são sempre os últimos a saber.

Outra coisa que me intriga é a discriminação sexual do corno. Então só os machos é que podem ostentar o apelido? O que é feito das fêmeas? “Essas, são mães de família.” Dizia-me, faz tempo, um fervoroso adepto da teoria. Mas eu insistia querendo saber como é que o sujeito apelidava a desgraça a quem o marido, companheiro ou namorado traía. “O que tem? Essa é a lei da vida. É o normal. Todo o macho precisa de mais do que uma fêmea. Não se chama coisa nenhuma, ora essa. Quanto muito, se não levantar cabelo, podes chamá-la de <<minha santa>>”. Pasmei!

Uns dias depois, mais de um mês, apanhei o mesmo sujeito, com a amante, a passar um fim-de-semana no Ribatejo. Entendi imediatamente porque é que tinha topado, na véspera, ainda em Lisboa, a mulher deste a sair de um hotel com um <<personal trainer>>. Quando ficámos a sós e lhe perguntei se tinha vindo pela tourada, indagou-me interrogativo e meio irritado: “Tourada, qual tourada? De que estás tu a falar?” “Nada, nada…” respondi eu, “… pensei que já sabias que vives com uma santa pecadora…”.

Provérbios e pensamentos para um novo milénio:

Vale mais ser confinado que corno.

Se um vírus gerar uma pandemia é um libertino. Dá-se com qualquer um.

Covid-19 em morcego é ermita, em séniores é um <<Serial Killer>>.

Os vírus são os zombies do mundo microscópio, precisam de ser vivos para se multiplicarem, enquanto as bactérias são como as vacas, pastam por todo o lado e só algumas tresmalham. As que nos infetam ou matam são conhecidas por vacas loucas.

A semelhança entre um assassino psicopata e um vírus mortal é que nenhum deles pensa antes de matar. O psicopata só tem a vantagem de poder jantar primeiro.

Se os vírus não são seres vivos não é de médicos que o mundo precisa, mas de exorcistas.

No século XX a máscara era usada para roubar, no século XXI só serve para desconfinar.

Uma prostituta é uma mulher que não acredita em confinamentos. Um cabrão é o marido da desconfinada. Já um garanhão é um homem que sabe saltar a cerca e a mulher deste é apenas a cerca.

Espero, minha querida amiga Berta, que tenha sido do teu agrado este meu destapar de mais umas páginas do Diário Secreto do Senhor da Bruma. Despede-se este rotineiro teu amigo do costume, com um beijo,

Gil Saraiva

 

 

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