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Alegadamente

Este blog inclui os meus 4 blogs anteriores: alegadamente - Carta à Berta / plectro - Desabafos de um Vagabundo / gilcartoon - Miga, a Formiga / estro - A Minha Poesia. Para evitar problemas o conteúdo é apenas alegadamente correto.

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Carta à Berta nº. 640: 7,5 Anos de Governo de António Costa

Berta 640.jpgOlá Berta,

Eu sei que o blog onde atualmente escrevo as tuas cartas, minha querida, se intitula propositadamente “alegadamente”. Esse nome deve-se ao facto de eu ser jornalista com carteira profissional e não querer estar a ser levado à justiça, com processos que poderia perder, não pelo facto de não ter razão, mas sim pelo facto de poder não possuir os recursos económicos necessários, para provar a minha razão, mesmo que esta seja a verdadeira. É por isso que tudo o que escrevo no blog está mesmo sob a alçada de um vasto, mas claro, “alegadamente”.

Dito isto, amiga, já posso afirmar que me irrita o facto da a comunicação social tender toda, no seu conjunto, monocordicamente para a direita. Toda a gente sabe quem tem na mão a divulgação das notícias neste país. Quem são os donos das grandes empresas de imprensa e televisão em Portugal?

Um deles, caríssima, até é fundador do PSD e controla, coisa pouca, o Expresso e a SIC. Mas todos os jornais do JN e DN, ao Económico ou ao Negócios, passando pelo Público, pelo Observador, pelas revistas Visão e Sábado, já para não falar do Correio da Manhã, da CmTV, da TVI e das principais rádios nacionais, da Renascença, à TSF, pertencem aos grupos ligados ao capital e isso não precisa de Polígrafo para ser facilmente provado que se trata de uma constatação real.

Há quem argumente, cara confidente, que, mesmo assim, ainda temos a RTP e a Antena 1, 2 e 3, para proteger a verdade da democracia em Portugal. Com efeito, nota-se uma ligeira melhoria na condução da informação noticiosa nos meios de comunicação do Estado, embora possuam Estatutos de Autonomia Programática. Mas isso é pouco, porque o Estado exige que estas empresas não apresentem prejuízos, o que as faz, na maioria das vezes, seguir a mesma linha dos outros órgãos de comunicação social, tentando rivalizar com as demais na pesca de publicidade e de mais audiências.

Há cerca de 20 anos atrás, Bertinha, o dono de vários órgãos de comunicação social deste país, disse, num evento público, mas apenas no seio do pequeno circulo de pessoas que o rodeavam, quase todas da sua confiança pessoal, que (já naquela altura), tinha o poder de conseguir provocar a queda de um Governo, se assim o entendesse.

No meio do grupo, naquela mesa, estava eu, um estranho (convidado por um dos acólitos, que era meu amigo dos tempos do liceu). Para o magnata, era evidente que eu estar ali, significava, mesmo sem me conhecer, que eu era pessoa da confiança de um dos seus seguidores e portanto merecia a mesma confiança destes.

Não sei, amiga, nem nunca investiguei a fundo, se o magnata ajudou efetivamente a fazer cair um Governo, mas fica a dúvida, uma enorme e imensa dúvida.

Ora, Berta, embora o povo português se incline maioritariamente para governos de centro ou de centro esquerda, nestes quarenta e nove anos de democracia, já vimos de tudo um pouco. Nos primeiros anos tivemos o poder nas mãos revolucionárias da extrema esquerda, o que se entende pelo contexto histórico, mas também já, por diferentes ocasiões, fomos confrontados com a direita no poder.

Basta lembrar os velhos tempos da AD, os quase vinte anos de Cavaco Silva à frente do Governo ou da Presidência República, e os anos vergonhosos da aliança CDS, PSD, com Passos Coelho, muito à frente da Troika, com a “guerra naval” de Paulo Portas a meter água nos “submarinos” que comprámos e Assunção Cristas a lançar uma “Lei das Rendas” que transformou uma imensa quantidade de idosos em Portugal em gente “Sem Abrigo”, cara amiga.

As pessoas, minha querida, têm memória curta, e já se esqueceram, por exemplo, que nos tempos dos Governos de Cavaco Silva passámos anos com uma inflação de dois dígitos e não como os 5 ou 8% como temos tido ultimamente e nem é bom lembrar como estavam as taxas de juros.

Toda a gente sabe, principalmente tu, minha amiga, que sou militante do PS, mas, para os que leem as minhas crónicas, sejam as “Crónicas da Rua do Crime”, as “Páginas Rasgadas”, os Desabafos de um Vagabundo” ou a “Carta à Berta” que eu e o PS tivemos muitas vezes em desacordo.

O que é normal. Porquê? Porque não vale tudo, só porque são os nossos preferidos que estão no poder. Quando se acha que o Governo está a errar numa política deve-se apontar o erro, sem receio de represálias. A alternativa, cara confidente, é triste, porque calar, nos obriga, mais cedo ou mais tarde, a termos que lidar com a nossa própria consciência e a mudar de profissão, o que é penosamente trágico e muito dramático.

Ora, querida amiga, se me pedirem para analisar os Governos de António Costa nestes últimos 7 anos e meio sou obrigado a afirmar que o saldo é extremamente positivo.

Se me perguntarem se aprovo tudo o que Costa tem feito. Bem… nesse caso, Berta, já terei de dizer que nem sempre. Por exemplo, não aprovo nem o bocadinho algo a que eu chamo de “Monarquia Maçónica Socialista”, onde certos Barões, muitos deles vindo de um passado mais antigo, se fazem suceder no poder pelos seus filhos ou filhas como se existisse algum direito dinástico no seio do Partido Socialista. A Monarquia em Portugal já acabou.

Foi mesmo já há muito tempo e tem de chegar a altura de a pôr para trás das costas. É incompreensível ver Jamila Madeira, que cresceu politicamente no colo do pai, Filipe Madeira, o velho Barão do PS no Algarve, a aparecer no Governo de Costa como se, alguma vez, tivesse feito algo para o merecer. O mesmo, Berta, se passa com o próprio filho de Costa e a maneira como o pai o meteu na política.

Começa por infiltrar o rapaz como número dois de um presidente de Junta de Freguesia, depois, ganhas as eleições, promove o presidente vencedor, a meio do mantado, a deputado da Assembleia da República, e o filho sobe a Presidente de Junta. Teve sorte, António Costa, minha querida, porque nas eleições autárquicas posteriores, o filho ganha novamente a Junta de Campo de Ourique, à pele, com 15 votos de vantagem.

Podia apostar já hoje que, nas próximas eleições autárquicas, o filho de Costa já não será candidato a Campo de Ourique. Porquê? Porque será candidato às legislativas e irá engrossar o lugar de Baronete na Assembleia da República. Todavia, Berta, se eu me enganar, cá estarei para dar a mão à palmatória.

Conforme acabas de confirmar, Bertinha, pelo que disse nos parágrafos anteriores, nem tudo o que acontece no seio do PS me agrada, porém, não tenhas dúvidas, quanto digo, e insisto, que os 7,5 anos de governação de António Costa são mesmo muito positivos. Tenho, contudo, pena que a comunicação social esteja integralmente nas mãos da direita. Na próxima carta falarei de Galamba, mas por hoje é tudo. Deixo um beijo,

Gil Saraiva

 

 

 

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