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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta nº. 222: Maddie, o Regresso - 13 Anos Depois...

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Olá Berta,

Neste regresso ao calor que parece definitivo assistimos ao anunciar da volta à ribalta de uma velha saga mediática. Hoje em dia já são poucas as coisas que me espantam, porém, não esperava por isto:

O Caso de Madeleine McCann

Não sei se tens visto as notícias da TVI. Uma das últimas revela drasticamente que a polícia identificou um alemão como suspeito formal pelo rapto e morte de Maddie McCann. Esta é a primeira grande surpresa do furo televisivo. Todavia, quando o jornalista identifica a polícia em causa, aparece a segunda surpresa da notícia. Não se trata propriamente de uma identificação exclusiva de uma só força da ordem. A alegada descoberta, minha amiga, é anunciada como proveniente de uma task-force internacional, composta pela nossa brilhante Polícia Judiciária, pelo Departamento Polícia Criminal Alemã e pela “Metropolitan Police of London”.

Pelo que nos é contado, o caso de Madeleine McCann, tem sido investigado e articulado em absoluto segredo nos últimos anos por estas forças policiais. O método silencioso foi tão eficaz que nem o Correio da Manhã o descobriu. Uma surpresa quase tão grande como as 2 anteriores, não achas Berta?. O apontar o dedo, de forma firme e acusatória a um suspeito, que será formalmente acusado do rapto e homicídio de Maddie, parece querer indicar que a criança inglesa, que à data, em 2007, tinha apenas 3 anos de idade, vai ter, finalmente, direito a justiça.

O caso, mundialmente mediatizado e que fez correr imensa tinta na época e no decurso de todos estes anos, pelo que se passou no remoto mês de maio, no concelho de Lagos, na Praia da Luz, há 13 anos, recentemente feitos e celebrados, anuncia poder chegar, por fim, a um verdadeiro culpado e assassino.

Este homem ou esta alegada besta demoníaca, como eu lhe chamaria se escrevesse a notícia para a TVI, é, ao que parece, um cidadão alemão, de 43 anos de idade, que se encontra atualmente preso no seu país de origem. Segundo a informação da TVI, cara Berta, trata-se de um predador sexual, com uma grande história no infeliz capítulo da predação sexual abominável.

A pena de prisão que cumpre na atualidade é devida a outro caso. Desta vez tratou-se comprovadamente da violação de uma mulher. No entanto, parece haver provas que o sujeito viveu no Algarve entre os seus 18 e 30 anos, o que significa entre 1995 e 2007, assim como todos os indícios recolhidos indicam que se encontrava na Praia da Luz, por altura do desaparecimento de Maddie.

Segundo o jornalista, que divulgou a notícia no Jornal das 8 na TVI, minha querida amiga, há provas, recolhidas nos últimos meses, que o colocam como presumível autor dos crimes de rapto e homicídio de Maddie. Quanto ao móbil do crime, desta criança de tão tenra idade a passar férias no Algarve entre pais e amigos da família, apontam ao que parece, exclusivamente, para motivações de natureza sexualmente predatória. O jornalista da TVI também adiantou que, na sequência de todas estas informações, o casal McCann já foi devidamente informado pelos serviços da polícia inglesa.

Contudo, Berta, relembro que, apesar das suspeitas formais que recaem sobre este cidadão alemão, o mesmo já aconteceu, pelo menos, a mais 4 pessoas, ao longo destes 13 longos anos de investigação, e sobre as quais recaiu, sucessivamente, o estatuto de arguido no processo, incluindo os próprios progenitores de Madeleine. Em resumo tem sempre existido muita parra, mas sempre pouca uva, no que a esta investigação diz respeito.

Se já não tens bem presente o caso, querida amiga, encontras na internet várias descrições exaustivas relativas a estes acontecimentos, havendo até, inclusivamente, um grande artigo na Wikipédia. Não é para admirar tanta informação, a correr por aí, uma vez que continua a existir uma recompensa de, pelo menos, 2 milhões e 940 mil euros, pela descoberta do raptor e possível assassino.

A divulgação da investigação nesta altura, prende-se com o objetivo de solicitar, a quem se encontrava na Praia da Luz à data dos acontecimentos, o favor de reverem as fotografias da época, para que confiram se, em alguma delas, encontram imagens de 2 viaturas, pertencentes ao individuo agora apontado como possível raptor e assassino. Quanto às viaturas eram: uma carrinha Volkswagen, modelo t3, de cor branca e amarela e um Jaguar XJR dos anos 90 de cor escura.

Para além de tudo isto, minha querida amiga, eu continuo cético quanto à prova de que este alegado novo suspeito seja o verdadeiro culpado. Mais cético ainda que a prova possa ou consiga ser produzida. Afinal, se a investigação já fosse totalmente consistente, já teriam divulgado o nome e o rosto do individuo, coisa que continua omissa em todos os comunicados feitos à imprensa até hoje.

É triste que assim seja, mas parece-me bem mais realista pensar que isto não se resolverá, do que engolir esta nova “História da Carochinha”, mais uma vez sem um fim à vista e carente de provas claras, para que o suspeito possa ser acusado e julgado. Despeço-me minha querida amiga com um beijo doce, este com quem sempre podes contar,

Gil Saraiva

 

 

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