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Alegadamente

Este blog inclui os meus 4 blogs anteriores: alegadamente - Carta à Berta / plectro - Desabafos de um Vagabundo / gilcartoon - Miga, a Formiga / estro - A Minha Poesia. Para evitar problemas o conteúdo é apenas alegadamente correto.

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Carta à Berta n.º 597: Morreu Jô Soares - Um Génio do Humor em Português

Berta 597.jpg Olá Berta,

Hoje morreu um grande mestre da comédia mundial, falava português, com sotaque brasileiro e era conhecido pelo nome de Jô Soares, também conhecido pela alcunha de “O Gordo”. Pese embora à hora desta carta, minha querida, ainda não ter sido divulgada a causa da morte, ele já tinha 84 anos e estava internado no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, no Brasil, pelo que é fácil de concluir que o problema que o afetava se complicou ao ponto de o levar.

Se queres saber, muito sinceramente já chorei. Baixinho, só para mim, sem fazer muito alarido, mas com uma profunda dor de alma. Acho que nunca te contei, mas o Jô foi uma das minhas maiores influências no humor no tempo em que eu ainda estava a tentar descobrir a minha escrita, no último quartel do século vinte, no já longínquo milénio passado. A mordacidade de Jô ensinou-me que se pode brincar com coisas sérias, sem que isso possa ser considerado uma ofensa. A sua ironia atingia com facilidade picos de genialidade e hoje o Brasil e a língua de Camões ficaram bem mais pobres.

Nunca o conheci pessoalmente, minha amiga, mas tive a sorte de trocar alguns emails com ele em 1996, não a propósito do seu humor, mas por ele ter publicamente lançado, no ano anterior,   os Mamonas Assassinas, a melhor banda de rock humorístico que alguma vez existiu no Brasil, os quais, depois do sucesso do seu álbum, se tornaram absolutamente visíveis para o Brasil através do programa Jô Soares Onze e Meia.

Não vou revelar, Berta, como consegui o email do Jô, mas foi ele sempre quem me respondeu, até agradado por alguém, ligado a uma rádio portuguesa, em Portugal, o estar a contactar sobre esse assunto. Nessa altura eu trabalhava com a Radio Televisão Atlântico, sediada em Olhão, no Algarve, onde tinha um programa diário denominado “A Opinião de Gil Saraiva”.

O mundo, eu acho, vai sentir a falta da sátira e da perspicácia de Jô Soares, pouca gente saberá que Jô se chamava realmente José Eugênio Soares, mas pouco importa. Relevante é, isso sem dúvida alguma, a enciclopédia de humor que Jô deixou à humanidade. Não é fácil ser-se irreverente e mordaz durante uma ditadura militar e o Jô ensinou muita gente a fazê-lo com mestria. Sabes, minha querida, estou de novo de lágrimas nos olhos, como quando morreu Freddie Mercury, o vocalista dos “Queen”.

Quando perdemos referências de genialidade, que nos influenciaram a vida, nunca se consegue ficar indiferente. Pelo menos eu sou assim. É como se perdêssemos um ente próximo, é algo de nós que parece ter sido arrancado a ferros. Aqui fica, Berta, a minha mais sincera e profunda homenagem a Jô Soares e Viva o Gordo!

Despeço-me triste,

Gil Saraiva

jo_soares_gente_falsa_nao_fala_insinua_nao_convers

 

 

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