Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Memórias de Haragano - A Revolução Começa na Cama - Parte XIII

193 - Berta.jpg

Olá Berta,

Um bom-dia para ti, sejam lá as horas que forem, no momento em que estiveres a ler esta carta. Hoje vais encontrar nas memórias a referência a uma escritora que já nos deixou faz tempo. Contudo, trata-se de alguém que tem a minha admiração e, por isso mesmo, falo dela. Seguindo para o texto, deixo-te com a sua leitura.

Memórias de Haragano: A Revolução Começa na Cama – Parte XIII

“A propósito de escrever…

<<Escrevo porque sou uma desesperada e estou cansada, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse sempre a novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias>>

                                                                                               Clarice Lispector

Ao ler esta frase de Clarice fico quase tentado a concordar. Mas, e não sei porquê tem sempre de haver um mas, julgo que chegarei ao fim sem realmente a aprovar na totalidade. Porém, se me colocar no lugar de quem escreve, sou capaz de entender. No caso escrever para a autora era tão vital como para qualquer humano beber água. Morreríamos todos sem o precioso líquido. A carência do ato de escrever seria igualmente fatal para Clarice Lispector.

A minha vida faz-me ver outra realidade que, por força do que tenho vivido, me leva a ideias um pouco diferentes. Tenho que concordar que viajar sem um bloco e uma esferográfica é inimaginável para mim e que, na maioria das vezes, não me lembro do champô ou da máquina de barbear. Já me aconteceu inclusivamente sair de casa sem o bilhete de avião e o passaporte, mas muito ciente de trazer comigo tudo o que era preciso, apenas por sentir na bolsa ou no bolso o volume da caneta e do bloco.

Escrever, para mim, é uma de duas coisas: um processo de arquivo ou uma aspirina para a imaginação. Antes de descrever estas situações tenho que discordar da ideia generalizada de que <<quem escreve, escreve para si próprio>>. Ou seja, mesmo os intimistas, os cultivadores de diários muito privados, ou outros <<secretistas>> da palavra passada à escrita, sentem, nem que seja lá no fundo mais refundido do seu fundo, o desejo de ser lidos (para já não dizer apreciados pelo que escrevem), pode até ser, e é o mais normal, mas depois, por outro lado, vendo o meu caso, eu escrevo para arquivar ideias antes que delas me esqueça. Gosto de ser lido? Gosto, principalmente se for apreciado, mas não é o que mais me move. Porém detestaria que após a minha partida deste mundo alguém chegasse ao computador e apagasse pura e simplesmente todos os livros, poemas, pensamentos, crónicas e textos que já escrevi. Odiaria isso realmente. “

É com esta tenebrosa ideia de um dia ser apagado que me despeço por hoje minha amiga. Recebe o virtual beijo deste teu menos novo amigo,

Gil Saraiva

 

 

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

Em destaque no SAPO Blogs
pub