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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Memórias de Haragano - A Revolução Começa na Cama - Parte IV

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Olá Berta,

Com que então ficaste confusa com a parte da Revolução das Orquídeas da minha última carta sobre as memórias de Haragano. Eu esclareço. Falei em revolução das Orquídeas em oposição à Revolução dos Cravos, seria uma revolução mais sensual já que a orquídea representa, em termos florais, o órgão sexual feminino. Poderia começar igualmente em Campo de Ourique, mas, em vez do Quartel, partiria de todos os locais ligados à beleza no bairro, cabeleireiros, barbearias, centros de beleza e massagem, ginásios, perfumarias e outros negócios na mesma esfera de influência.

Era a Revolução contra a opressão do Ministério da Finanças e a prepotente importância do Ministério da Economia. Passaríamos a valorizar mais o SNS, a investir na Revolução dos Serviços Públicos de Transporte e a apostar verdadeiramente numa política de natalidade que travasse de vez o envelhecimento da população nacional. Aliás, tudo coisas recomendadas hoje pela Comissão Europeia para Portugal, sem esquecer, claramente, a importância de um trabalho digno, devidamente remunerado e apontando já para as novas tendências ecológicas e digitais. Enfim, uma revolução mais feminina e arejada.

Regressemos, portanto, à continuação da divulgação das memórias de Haragano que chegam hoje à quarta parte:

Memórias de Haragano: A Revolução Começa na Cama – Parte IV

“Tenho que sair da cama. Acabo de me lembrar que preciso de enviar um beijo de pelo menos cinco linhas para a revista Mariazinha & Pipoquita, a propósito das celebrações do Dia Mundial do "corin tellado". E esses pagam a horas e sem discutir preço, são eles e a IURD, porém, confesso, em mais um à parte, que sou alérgico à segunda, porque, caso contrário, até poderia dar num grande bispo. Mas alergia é alergia e enquanto tiver consciência estou certo que não me passará.

 Pronto, a maravilha de te estar apenas a escrever é que neste momento posso-te dizer que regressei à secretária. Vamos lá ver se o beijo sai.

<< Beijo Assado, quiçá com castanhas, regado com jeropiga, acompanhado por uma lareira crepitante, numa sala de granito antigo com grandes traves de carvalho e faia a rasgar as paredes, ao som de uma canção clássica de Paulo Gonzo, entre amigos, numa noite aberta e luminosa de Lua Cheia, onde o frio nos faz sentir o doce conforto do calor do fogo e das amizades envolventes, rindo entre conversas de uma banalidade sem meias palavras e onde conviver parece ser realmente o mote mais importante. Um beijo assim dá-se a quem se quer bem, sem subterfúgios, sem malícias, sem truques e por absoluta vontade de partilhar o momento de forma simples, sincera e singular.>>

 Ufa! Correu bem. Embora não tenhas dado conta, aproveitei o ter acabado o beijo para ir à cozinha buscar uma tangerina. Não vejo mal em partilhar esse facto simples contigo, já não será tão linear que me vejas aqui a escrever-te sobre as minhas idas à casa de banho, muito menos sobre o grau de pressão exercida sobre o abdómen no momento <<intimissíssimo>> do alívio. Desculpa lá o neologismo, mas fica lindamente nesta parte do texto.

Certamente concordarás comigo quando digo que, afinal, o calhau é algo bem mais privado do que o sexo. É até por esta razão que eu sou manifestamente contra a publicidade a fraldas na televisão. Ainda por cima pela exploração abusiva das criancinhas e dos bebés inocentes, sem voto na matéria que, com o mais ternurento sorriso do mundo, publicitam para quem os quiser ver, os deploráveis contentores de merda. Sou contra. Pronto! Sou contra.”

Como o tempo passa, amiga Berta, quando escrevi este beijo ainda nos encontrávamos regularmente, para um bom jantar, no Restaurante Verde Gaio, sempre prontos para colocarmos a conversa em dia. Enfim, os anos passam e a vida muda. Por falar em mudar, o Verde Gaio, aqui na Rua Francisco Metrass, em Campo de Ourique, em frente do Mercado, já reabriu. Está a funcionar muito bem e fui lá jantar na reabertura. Senti-me seguro, comi de forma excelente, como sempre aliás, e espero que eles se aguentem com a utilização de apenas 50% dos lugares. Agora é só a família a trabalhar no espaço, mas até isso ajuda a fazer com que nos sintamos descansados. Por hoje é tudo, beijo deste teu amigo,

Gil Saraiva

 

 

 

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