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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Memórias de Haragano - A Revolução Começa na Cama - Parte III

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Olá Berta,

Em resposta aos teus comentários à minha carta de anteontem (pois pelo meio falei-te do 25 de abril), posso garantir-te que não sou doido nem varrido nem mesmo por varrer e, ainda, nem sequer sou muito diferente das outras pessoas. A divergência existe apenas do facto de eu escrever o que me passa pela cabeça, enquanto que, a maioria, apenas o pensa e disso não deixa registo para a posteridade.

Continuando com as memórias é altura de chegar à Revolução das Orquídeas, mas antes convém acabar o tema que iniciei na última carta. Gosto de terminar os raciocínios que começo e deitar cá para fora todas as ideias que me passam pela caixa dos pirolitos na altura em que escrevo algo seja sobre que tema for. Estava a divagar sobre tabaco, maços e o ato de fumar. Ora, concluindo o tema:

Memórias de Haragano: A Revolução Começa na Cama – Parte III

“Já agora, um à parte, para ti que me estás a ler neste momento. Fumas? Se és fumador junte-te a mim, o meu mail fictício é bastaquebasta@gmail.com. Manda-me o teu nome e número de cartão de cidadão com uma declaração simples dizendo que aderes ao Mata, o Movimento de Apoio aos Tabagistas Atrofiados, estou a tentar formar uma associação que defenda de uma vez por todas o nosso direito à diferença.

Se os drogados podem ter salas de chuto, como os gajos do futebol de salão, porque raio é que nós não podemos ter restauração e espaços públicos reservados apenas para fumadores? Até discotecas, porque não…? Se dizer drogado é considerado uso de termo pejorativo, para falar de um toxicodependente, porque é que em vez de se usar o termo fumador não se usa <<nicotinodependente>> ou abreviando <<nicodependente>>? Se o Estado chama o bêbado de alcoólatra, alcoólico ou, com subtilezas de protegido acarinhado, de ébrio porque não apelidar o fumador <<nicoinalador>>?

Ainda estou para aqui a matutar. Se um drogado tem direito a metadona e seringa de borla porque é que eu não posso ter direito às <<nicorettes>> e a um cinzeiro à pala? Entendes o meu dilema?

Se não és fumador, não te irrites. Afinal, a acreditar na publicidade difamatória e que atenta diariamente contra o direito à diferença dos fumadores, eu e os outros como eu estamos condenados à extinção. Os que são homens verão os seus espermatozoides esterilizados em praça pública e as mulheres morreram estéreis e sem mamas por estarem sempre a chupar no fruto proibido, o cigarro. Como vês sais sempre por cima. No stress.

Estou novamente na cama. Aqui eu não penso apenas em dormir, no meu ego ou em sexo. Nada disso, aqui é onde eu arquiteto quase diariamente o meu plano maquiavélico da revolução das orquídeas.  Desta vez nada de cravos em espingardas, de povo na rua, de defesa da classe operária e da terra a quem a trabalha, contudo, a Revolução pode começar outra vez em Campo de Ourique. E nem sequer é uma questão de política.

Nada disso. Desta vez serão orquídeas delicadamente poisadas nos bustos e regaços das damas de Portugal, as mesmas flores que poderão ser sensualmente presas aos testículos dos cavalheiros, sem fundamentalismos, na rua, apenas com gente disposta a lutar pela liberdade, contra a tirania opressiva dos departamentos de economia e finanças que atualmente gerem o mundo. É tempo de iniciar a Revolução das Orquídeas, dando algum espaço revolucionário aos tios e às tias, em falência económica, deste país.

Lutaremos pelo trabalho? Claro que sim, mas, por favor, não a troco de meia banana e nem com duração de meia dúzia de dias ou meses na melhor das situações. Não e não. Lutar pelo trabalho, mas por um que seja digno e que nos mereça tanto como nós a ele. Viva a Revolução das Orquídeas que os filhos já lá estão e precisam de ser reformados. Para os interessados o mail é o mesmo do costume.”

Por agora é tudo, que amanhã há mais. Deixo um beijo carinhoso de amizade,

Gil Saraiva

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