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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Memórias de Haragano - A Revolução Começa na Cama - Parte I

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Olá Berta,

Não te admires sobre algumas das coisas que vais ler nestas minhas “Memórias de Haragano”. São apenas uma forma um pouco diferente de ver o quotidiano, nada mais. Já agora, contigo está tudo fino, como ontem? Espero que sim. Nunca tenho grande jeito para estes protocolos da etiqueta social, mas pronto, quando me lembro sempre pareço um pouco mais civilizado. Peço é desculpa pelas vezes, e são muitas, em que entro logo nos assuntos sem a devida delicadeza da tradicional etiqueta.

Regressamos, pois, à temática que ontem iniciei. Vou-te enviando coisinhas aos poucos para que não te fartes rapidamente. Como toda a gente, também eu reparo em detalhes que talvez nem devesse ter notado, mas a vida é mesmo assim e tudo depende das circunstâncias.

Memórias de Haragano: A Revolução Começa na Cama – Parte I

“A cama é para muitos de nós o “Domínio do Ego”. Nela somos senhores do mundo, reis do universo, da vida que imaginamos poder ter, pintores nas telas da nossa imaginação, artistas plásticos nas esculturas moldadas à nossa imagem e semelhança. Por maior disparate que elaboremos na mente, por mais bárbaro que seja o julgamento que fazemos de algo, o que importa é que aqui a razão está sempre do nosso lado. Não existem pagamento de impostos, não há dívidas no talho, nem conhecemos alguém a quem devamos um favor. Num dia bom não ganhámos apenas um euromilhões, mas pelo menos três.

Voltei a saltar da cama deixando o meu ego a descansar. Sentei-me à secretária e reli o início do artigo sobre casamentos que estava a escrever para a Bodas Magazine.

"Pedi a minha ex-esposa em casamento ao som dos Doors. Banda preferida de ambos. Imaginem uma noite de chuva e trovoada, há muitos anos atrás, dia 6 de novembro, meu aniversário. A <<pendrive>> no carro tocava Riders on the Storm.

Estávamos a passar pelo jardim da Parada, em Campo de Ourique. Pedi-lhe para parar no estacionamento, quase vazio, reservado aos táxis. Parou. Subi um pouco a música. Abri a porta do carro, dei a volta e bati no vidro dela. Abriu. Chovia copiosamente agora. Encharcado levei a mão ao bolso, abri uma caixinha com um anel de brilhantes em forma de cabeça de pantera, ajoelhei no passeio e cantei: Came on baby Light My Fire.

Relampejou duas vezes, uma lágrima sorridente rolou-lhe na face e casamos dia 27 de dezembro na Casa Fernando Pessoa que pela primeira vez autorizou um casamento."

Deixo um beijo de despedida do amigo de sempre,

Gil Saraiva

 

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