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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Memórias de Haragano - Confissões em Português - Parte VIII

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Olá Berta,

Espero que a minha conversa com o leitor das Memórias de Haragano, enviada ontem, não tenha sido chata em demasia para ti. Afinal, a busca de confiança mútua é sempre algo que se deve louvar seja lá em que tipo de enquadramento nos encontremos numa dada altura. Aquilo de que eu tenho a certeza é que para desabafar com o leitor, da mesma forma como o faço contigo, ou algo aproximado a isso, é necessária uma relação de mútuo acreditar. Apenas isso, algo bem simples se devidamente executado e aceite por ambas as partes. Agora, está na hora de regressarmos às Confissões, assim:

Memórias de Haragano: Confissões em Português – Parte VIII

“Sobre os <<afinismos>>, de que falei anteriormente, as explicações virão sem a maçada de uma teoria quântica, pois trata-se somente de uma filosofia de minha autoria, que não justifica apenas uma maneira de pensar, mas também todo o comportamento sociológico, político e ético da humanidade. Aliás, até julgo que ela, a minha querida filosofia, pode ajudar a explicar o complexo funcionamento do universo.

Não é, porém, nenhuma teoria da relatividade, nem mesmo sei se, o que digo e afirmo de forma convicta, poderá, algum dia, ser matematicamente comprovável, mas se queres saber também pouco me importa. Acho mais fácil acreditar nas minhas teorias do que na existência da proclamada e não devidamente comprovada, energia negra que, segundo matemáticos e físicos, compõe noventa e tal por cento da imensidão universal, se combinada com a igualmente misteriosa matéria negra,  apenas porque é necessário para eles que as contas que fazem batam certo, por mais absurdas que as suas explicações possam parecer. Não o digo para minimizar a classe, mas, para mim, os astrónomos, os astrofísicos e os outros estudiosos do nosso cosmos estão para o momento atual como os astrólogos estavam para a antiguidade.

O <<Afinismo>> resume-se num princípio simples. Tudo no universo interage entre si, sendo que a proximidade torna essa interação mais evidente, ou seja, uma qualquer partícula não pode fazer uso das suas qualidades próprias se não tiver, à sua volta, outras partículas com quem interagir. Por outras palavras o Universo é interativo, participativo e existe por agir em conjunto, pela conjugação intricada de todos os seus componentes mais elementares. Caso contrário estaria condenado à extinção e ao caos.

Ora, quando se transporta este princípio para o campo da existência e da relação humana, é fácil concluir que, enquanto ser social que somos, precisamos de interagir com os outros. Com base nas afinidades mútuas constituímos o nosso ciclo de relações e proximidades e defendemo-lo com unhas e dentes se preciso for. Sejam as relações familiares, sejam as de amizade ou as de amor, todas elas existem pelos pontos em comum que partilhamos com quem nos é mais próximo ou chegado. Do lado inverso, reagimos negativamente perante aqueles que não partilham das nossas afinidades. Trata-se de um sistema perfeito, que funciona qual relógio suíço e que, quando é necessário, faz os ajustes devidos para que tudo assim continue.

É nesta dicotomia que vivemos toda a nossa existência. Mesmo quando alguém que estava no nosso grupo de relacionamento, ligações próximas e relações, descobre que se enganou nas escolhas, nas preferências, em suma, nas afinidades ou quando isso mesmo acontece connosco. Esses momentos, que acontecem com alguma periodicidade a todos nós, são afinal e apenas o acertar do tal relógio suíço que para continuar certo precisa dos devidos ajustes, de manutenção e de revisão atenta.

No campo das relações humanas é fácil de encontrar uma multiplicidade de <<afinismos>>. Podemos vê-los no amor, nas amizades, na partilha da preferência clubística, nas opções de caráter político e social, nos gostos, nos programas e nos filmes de que gostamos, no bairro onde vivemos, na coletividade ou associação a que pertencemos, até nas coisas mais simples que fazemos ou naquilo que comemos. O <<Afinismo>> governa totalmente o nosso campo sensitivo e emocional, bem como o nosso relacionamento social e toda a nossa existência racional. Todas as escolhas da nossa vida, todas as vivências, raciocínios, pensamentos e proximidades têm por base essa coisa fácil de entender a que eu chamo de <<Afinismo>>.”

Minha querida amiga Berta, fico com a esperança que tenhas gostado da minha teoria universal. Por hoje despeço-me satisfeito com o facto de te a ter transmitido. Recebe um beijo deste teu grande amigo, sempre ao dispor,

Gil Saraiva

 

 

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