Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Memórias de Haragano - Confissões em Português - Parte III

Berta 203.jpg

Olá Berta,

Continuo hoje a nossa nova saga. As confissões entram na sua terceira parte e espero que sejam do teu agrado. Sem mais demoras, cá vai disto:

Memórias de Haragano: Confissões em Português – Parte III

"Quem sempre luta pelo pódio na disputa do segundo ou terceiro lugar é o Castelhano. Correndo o risco de me repetir, tudo depende dos estudos e das fontes usadas, a língua alterna com o Inglês um dos 2 últimos dos 3 lugares do pódio. Esta é uma guerra antiga entre os estudiosos germânicos e os latinos, ambos a reivindicarem o fabuloso segundo lugar.

Uma guerra sem importância relevante para o Português que, desde 2019, se viu, finalmente, consagrado pela ONU, através da UNESCO, com o lançamento simbólico do Dia Mundial da Língua Portuguesa, existente desde o ano 2000 no seio da CPLP, mas agora reconhecidamente universalizado. Não é demais voltar a dizê-lo, porque sempre existiram muitos interesses instalados, mas é diferente saber que a UNESCO nos reconhece como a quarta maior língua do globo, com mais de 300 milhões de falantes do Português, como primeira língua, do que sermos nós a dizê-lo. É como comparar água com vinho, no que à relevância diz respeito.

Com efeito, a data de 5 de maio, escolhida pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) no ano 2000, em Cabo Verde, para celebrar a difusão e importância das culturas e do idioma no mundo, acabou por ser reconhecida pela UNESCO que a transformou em Dia Mundial a 25 de Novembro de 2019, reconhecendo (e finalmente atualizando os dados) que existem entre 300 e 310 milhões de pessoas no mundo que usam o Português como primeira língua. Este reconhecimento terminou abruptamente com todas as disputas e lóbis nos corredores da linguística. Já há muito que uma metodologia séria tardava em vingar, tendo, por consequência, posto um ponto final às questões sobre qual é a quarta língua mais falada no globo.

Contudo, nos campos da pureza, beleza e complexidade do Português, os estudiosos destas matérias parecem todos concordar, que não temos outra que se lhe compare, em termos evolutivos e de sofisticação de elaboração sintática, gramatical e semântica, no universo latino. Para além disso, não é só o facto de sermos escutados nos 5 cantos do mundo é, também, a riqueza do idioma e a sua capacidade de expansão que nos torna relevantes. Todavia, nunca é demais dizê-lo, do quarto lugar mundial saltamos para a liderança  e para o topo da tabela quando nos referimos apenas às línguas faladas no Hemisfério Sul. Aqui reinamos destacados e nem o Castelhano, o Inglês ou o Mandarim, nos chegam aos calcanhares.

Não posso deixar de referir algo que me irrita profundamente. Parece que o nosso país dá uma especial importância e relevância às coisas e às críticas que vêm de lá de fora, do estrangeiro. Mas, contudo, deveria ser o inverso. Importaria sim escutar, com redobrada atenção, quem connosco partilha o país e a existência, bem como a nossa difusão linguística, ou até, generalizando, os países que, no seu todo, geraram o orgulho generalizado que todos possuímos pelo nosso idioma. Não temos que nos mostrar ofendidos porque na América há muita gente a pensar que Portugal é uma província de Espanha. Não é, já foi. Mas a ignorância e a tacanhez é deles e não nossa e só a eles mesmos assenta mal.

Voltando agora ao título do presente capítulo, Confissões em Português”, a parte que se refere às Confissões é que deveria chamar a atenção em primeiro lugar. Já o facto de ter usado o nome da língua apenas pretende dar aquele ar muito intelectual ao texto.

Dou um exemplo claro: é como o artista plástico que cria uma obra que lhe corre mal, mas que, depois do imenso trabalho que teve na sua elaboração, tem alguma pena de a destruir, assim, devido a essa mesma trabalheira e ao tempo que a dita lhe consumiu em todo o processo criativo, resolve incluir a falhada criação numa mostra internacional relevante, sabendo, conscientemente, que a sua obra vai estar patente ao público, sujeita a críticas, possíveis achincalhamentos, podendo conduzir mesmo ao escarnecer da sua qualidade indiscutível enquanto artista plástico.

Não querendo reconhecer o seu fracasso criativo, depois de muito matutar no assunto, lança a obra, com lugar de destaque na exposição, apelidando-a com o maravilhoso nome de:

Instalação II - O Fracasso do Canguru Perneta.

Para sua surpresa, vence o primeiro prémio daquela Bienal de Arte, pelo modo magnífico como conseguiu, de forma genialmente única, representar tão crua e friamente o significado de fracasso.”

Como podes verificar, querida Berta, muitas vezes as coisas não valem apenas pelo que são em si mesmas. O contexto em que são inseridas é um dos mais determinantes fatores para a sua relevância ou valorização. Com esta observação te digo adeus por hoje, embora amanha me vá dar ao trabalho de deixar mais claro este título fabuloso para a obra em causa. Recebe o beijo habitual deste teu amigo,

Gil Saraiva

 

 

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Em destaque no SAPO Blogs
pub