Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Livro - O diário Secreto do Senhor da Bruma - II - Abordagens Sobre a Burrice (fim - II - 8)

Berta 262.jpg

Olá Berta,

Termino hoje o segundo capítulo e as abordagens sobre a burrice do Diário Secreto do Senhor da Bruma. Para que o entendimento do tema seja global, juntei todos os provérbios que encontrei sobre o tema, aos quais, perdoem-me os puristas dos ditos populares, anexei mais 15 de minha autoria que, julgo eu, não envergonham os originais prenúncios da sabedoria popular. Contudo, não serei eu a julgar em causa própria, um dia, quem sabe alguém opinará de forma certamente mais esclarecida.

Todavia, mesmo antes de entrar no novo capítulo, aviso já que provavelmente não será um tema muito do teu agrado. Penso que pouca gente gosta de filosofia e o terceiro capítulo será integralmente preenchido com os meus 9 filósofos de eleição, desde o início do século XX aos nossos dias. Mas para já regressemos à burrice:

----- “ -----

II

Abordagens sobre a Burrice (fim - II - 8)

Março, dia 16:

Nos provérbios sobre asnos e burrice, muitos há que não carecem de qualquer explicação. Exemplificando: Às vezes não se respeita o burro, mas a argola a que ele está amarrado. / Quem não pode, aluga um burro. / Jumento e padre com manha, são poços de artimanha ou, noutra versão, Jumento e filho de padre são poços de manha. / Mulo ou mula, asno ou burra, rocim nunca. / Burro e carroceiro nunca estão de acordo. / Amarre o burro à moda do dono. / Jumento não topa duas vezes na mesma. / Burro (ou burro velho) não amansa, acostuma. / Burro mau, indo para casa, corre sem pau. / O burro adiante para que não se espante. / Burro que geme, carga não teme. / Burro velho não toma andadura e se toma pouco dura. / Burro velho, albarda nova. / A burra velha, cilha nova / Criado que faz o seu dever, orelhas de burro deve ter.

Março, dia 17:

Os ditos populares são igualmente ótimos justificativos de atitudes e procedimentos. Escolhi alguns exemplos disso: Em janeiro todo o burro é sendeiro. / O burro gosta de ouvir seus zurros. / O burro sempre vai na frente. / É batendo na cangalha que o burro entende. / Quem gaba o noivo é o burro do sogro. / Quem o asno gaba, tal filho lhe nasça. / A burra de vilão, mula é no verão. / O burro se amarra é no rabo do dono. / Asno tonto arrieiro louco. / Com palha e milho se leva o burro ao trilho. / Burro de carga é que aguenta tranco. / Burro que muito zurra, pede cabresto. / Não é mel para a boca do asno. / Olhar como um burro para um palácio. / Em maio deixa a mosca o boi e toma o asno. / Cada asno com seu igual. / Quando o burro é jeitoso, qualquer albarda lhe fica bem. / Quem não aguenta trote não monta burro.

Março, dia 18:

Por outro lado, existem outros provérbios sobre a burrice que usam comparações com outros animais, principalmente com o cavalo, ou que se servem de uma mesma temática para enfatizar a burrice. São exemplos disso: A gente, queira ou não queira, tem de ir de burro à feira. / Queira ou não queira, o burro há de ir à feira. / Não é por grandes orelhas que o burro vai à feira. / Burro em cada feira vale menos. / O boi conhece o dono e o jumento a manjedoura. / A gente não deve ficar adiante do boi, nem atrás do burro, nem perto da mulher: nunca dá certo. / Cavalo grande, besta de pau. / Burro grande, cavalo de pau. / Antes bom burro que ruim cavalo. / Filho de burro não pode ser cavalo. / Andar de cavalo para burro. / Aonde vai o burro vai a cangalha. / Quem come carne na véspera de Natal, ou é burro ou animal. Asno de muitos, lobos o comem. / Com a morte do asno não perde o lobo. / Todo o burro come palha, é preciso é saber dar-lha.

Março, dia 19:

Não se pode deixar para trás os ditados que se apresentam como detentores de uma lógica evidente e bem popular. Encontrei vários exemplos desse género: A paixão torna o homem cego, surdo e burro. / Todo o malandro é um burro de sorte. / O burro come da carga que leva. / Asno contente vive eternamente. / Coice não é privilégio do burro. / Burro bravo dá coice até no vento. / Palavra de burro é coice. / O burro acredita em tudo o que lhe dizem. / Burro velho não acerta com a encruzilhada. / Amor de asno é coice e dentada. / Um olho no burro, outro no cigano. / Dar com os burros na água. / Burro com fome, cardos come. / Burro onde encosta, mija. / Cor de burro quando foge. / Temos a burra nas couves. / Quem tem burro e anda a pé, ainda mais burro é. / Vozes (ou zurros) de burro não chegam aos céus. / Se o burro soubesse a força que tem não puxava arado. / Besta é quem serve de escada para os outros subirem. / Se ferradura desse sorte, burro não puxava carroça. / Para trás mija a burra.

Março, dia 20:

Os provérbios sobre a burrice, pelo Senhor da Bruma:

Depois de tantos provérbios, acabando por me sentir inspirado, achei por bem tentar criar uns ditos que bem poderiam ser tão populares como alguns dos que tenho vindo a referir. Assim, dando largas à inovação, apresento as minhas modestas propostas para novas expressões: “Maçonaria e fanatismo dão força aos burros e chamam-lhe populismo.” / “Sua grande besta não é insulto é perdão.” / “Burro é o político que festeja na sondagem.” / “Amarrar o burro com corda de palha não é asneira é burrice.” / “Burro de cigano não compra cigarros.” / “Ao roubar o seu banco burro é o banqueiro se não souber esconder o dinheiro” / “Não é burro quem quer, tem de merecê-lo primeiro.” / “Burro que gira na nora detesta sogra.” / “O cúmulo da burrice é uma besta quadrada a andar em círculos julgando que chega a lugar algum.” / “Burro, não sendo boi, no espelho não vê cornos.” / “Burra infiel come mais do que um farnel” / “Masoquista é um burro que se acha inteligente.” / “Burro confinado não trota, ganha entorses.” / “Vírus de burro não zurra.” / “Toda a pandemia é louca se as bestas andam à solta.”.

----- “ ----

Achei divertidíssimo criar os 15 ditados anteriores. Deparei-me com as mesmas dificuldades com que os criadores de ditos se confrontam, ou seja, exprimir numa única frase todo o conteúdo de uma ideia. Ora, se já é difícil gerar uma quadra, estilo Aleixo, pelo poder de síntese a que obriga, reduzir isso a uma única expressão é totalmente de doidos. Todavia, bem ou mal, lá fiz as minhas versões.

Por hoje é tudo, amiga, recebe um beijo de despedida do eterno amigalhaço,

Gil Saraiva

 

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

Em destaque no SAPO Blogs
pub