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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Livro - O diário Secreto do Senhor da Bruma - II - Abordagens Sobre a Burrice (continuação - II - 2)

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Olá Berta,

Com que então passaste o fim de semana na praia. Acho muito bem, ainda por cima porque na ilha da Fuzeta não tens que te preocupar com gente a mais. Uma praia com 8 quilómetros é um areal muito grande, o que é preciso é ter vontade de nos irmos chegando um pouco mais para o lado. Aqui, na zona de Lisboa, é bem mais complicado. As praias andam com gente a mais e o teu amigo continua a ser uma pessoa de risco. Chegará o dia.

Enquanto gozas esses dias de calor e poucos turistas no Algarve espero que aproveites os momentos de relaxe para ires lendo as minhas cartas. O tema da burrice, neste Diário Secreto do Senhor da Bruma continua visto que se trata de um tema com muito que se lhe diga. Assim:

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II

Abordagens sobre a Burrice (continuação - II - 2)

Fevereiro, dia 17:

Nota: Conforme no exemplo anterior não se deve ler de seguida o parágrafo da listagem que se segue, seria, de novo, uma burrice. (aqui deixo, para futuras consultas, a lista quase exaustiva dos sinónimos, que eu encontrei, nas buscas efetuadas para os termos brasileiros).

Sinónimos de burro, nominais ou figurativos na língua portuguesa – Versão Brasileira:

Abestado, agalegado, abobalhado, aboleimado, acetábulo, alcançadiço, alonso, alvar, apedeuta, apedeuto, amacacado, anastácio, andor, anhanho, ânsar, ansarinho, apanascado, apancado, apedeuto, asinário, asinino, asnal, asnático, asneiro, asnil, assonsado, babaca, babalhocas, babanca, babancas, babão, babaquara, baboca, baboso, badó, badoco, bailão, bajoujo, banazola, balordo, basbaque, bate-orelha, bazaruca, bernardo, bertoldo, bobalhão, boleima, bolónio, bordalengo, bordegão, bestalhão, boboca, boca-aberta, bocó, bocoió, bocomoco, bongolo, boto, bucuva, burranca, burrical, capadócio, chapetão, chosco, desengenhoso, doidarrão, doudarrão, enxovedo, estólido, estroso, galafura, geta, ignaro, inhenho, haule, jato, lambaceiro lambaz, lapardão, lapardo, laparoto, lapouço, lãzudo, lerdaço, lucas, mamote, mamparra, mandu, mané, manembro, manho, maninelo, marouco, material, matias, moço, muar, narouco, nenho, onagro, orate, orelhudo, pachocho, pai-velho, pailão, paio, paiolo, palhouco, palonço, palonzano, palúrdio, panema, panguá, pantouco, parbiça, parro, parrulo, parvajola, parvoeirão, parvoinho, párvulo, párvuo, pascácio, pascoal, pasguate, pasmão patacão, patamaz, pataroco, patau, patavina, patetinha, patetito, patola, pax-vóbis, pêco, rombudo, sambanga, sancarrão, sandeu, sànona, sebastião, soez, tarola, tatamba, telo, tolaz, toleirão,  torgueiro, touguinho, truão, troixa, zambana, zângano, zé, zé-cuecas zote, zuzuto,

Fevereiro, dia 18:

O caso parece grave. Não é incomum, nos nossos dias, ouvirmos exemplos de ideias em que, em vez de se dizerem que “errar é humano e persistir no erro é burrice” já dizem “errar é humano, persistir no erro é afirmação de personalidade” ou “errar é humano, persistir no erro é integração social”.

Fevereiro, dia 19:

Há inclusivamente países em que as feministas estão a incentivar outras mulheres a contrair matrimónio com indivíduos comprovadamente burros, promovendo o ditado: “mais vale asno que te leve, que cavalo que te derrube” no seio das uniões mais favoráveis. Ora, do ponto de vista do desenvolvimento intelectual do ser humano, esta adoção do burro como parceiro pode ajudar, de forma perigosa, à generalização da mula, do cretino, do idiota e do parvo a curto prazo, assim como casar com um burro não aumenta, ao contrário do que se possa pensar numa abordagem primária, o prazer sexual das desaventuradas.

Fevereiro, dia 20:

Alguns países estão a levar à letra um outro provérbio: “albarde-se o burro à vontade do dono” e estamos a assistir pacificamente à ascensão meteorítica de puros asnos ao poder. Podia dar muitos exemplos, mas os mais evidentes vêm de: Nicolas Maduro na Venezuela, Aleksandr Lukashenko na Ucrânia, Andrés Obrador no México, Viktor Orbán na Hungria, Recep Erdogan na Turquia, Donald Trump nos Estados Unidos e Jair Bolsanaro no Brasil, apenas para citar alguns à esquerda e à direita. Só nesta pequena amostra temos os que publicamente acusam a TAP de pactuar com terroristas, os que dizem que o vírus se mata com vodka, os que têm rezas eficazes de combate ao coronavírus, os que sonham com a glória do Império Otomano, os que pensam que uma mulher se agarra pela vagina e os que acham que os peixes são animais inteligentes.

Fevereiro, dia 21:

É nestas alturas, em que no mundo se escutam a miude os zurrares dos puros asnos, que aparecem os saudosistas. No meio deste imenso cenário internacional, já existe quem recorde com saudade Osama Bin Laden. Porém, convém não confundir malfeitor com asno, o burro pode ser um malfeitor, mas fica longe do requinte de psicopatas como Bashar al-Assad o presidente sírio, que se imagina Califa, dos líderes do Estado Islâmico ou da raposa soviética, mais conhecida como Putin.

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A burrice é efetivamente um tema muito vasto e, tal como ontem, não se esgota nesta carta. Amanhã continuarei a enviar-te o que penso sobre esta outra pandemia silenciosa. Ela, que não mata, contudo, acaba, por ir desmoralizando muitos dos infetados. Por agora despeço-me de ti, minha querida amiga, com um beijo franco e saudoso, este teu eterno amigo do coração,

Gil Saraiva

 

 

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