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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Livro - O diário Secreto do Senhor da Bruma - Abordagens Sobre a Burrice - II - 1

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Olá Berta,

Depois do intervalo, na carta de ontem, regresso hoje ao Diário Secreto do Senhor da Bruma. Hoje para entrar numa temática um pouco sensível: a burrice. Sim porque se há coisa que não falta, pelo contrário abunda é gente burra neste nosso globo. Por incrível que possa parecer estes burros de cariz bem humano ocupam todo o planeta e falam, cada um em seu celeiro, todas as línguas conhecidas, pese embora o facto de cada um só falar a sua e pouco mais. Mas são efetivamente uma imensa maioria.

Atenção que ao escrever-te isto não estou a querer insultar ninguém. As pessoas são o que são, umas evoluem enquanto outras não, e, nem sempre, são culpadas da sua tendência flagrante para a asnice. Mas voltando aos jumentos, é hora de analisar o tema:

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II

 

Abordagens sobre a Burrice

(início - II - 1)

Fevereiro, dia 11:

Convém esclarecer, logo à partida, que ninguém é burro porque quer. Se a tendência gritante da humanidade para a asnice fosse uma opção, então ela já estaria extinta.

Nota: Não se deve ler de seguida o parágrafo da listagem que se segue no dia 12. Seria uma burrice. (aqui apenas pretendo deixar registado, para minhas futuras consultas, a lista quase exaustiva dos sinónimos que eu encontrei nas buscas efetuadas. Mais à frente tentarei fazer o mesmo usando, porém, os termos brasileiros).

Fevereiro, dia 12:

Sinónimos de burro, nominais ou figurativos na língua portuguesa:

Acéfalo, animal, asno, analfabeto, anta, apancadado, aparvalhado, asneirão, atónito, azêmola, babuíno, banana, bacoco, badana, beócio, besta, bestial, bobo, bom-serás, boquiaberto, boçal, bronco, borrego, bruto, burgesso, burrico, cabaça, cabeça-dura, cabeça-oca, cabeçudo, calino, cavalgadura, chochinho, choné, cretino, curto, débil mental, deficiente mental, desajeitado, disparatado, doudivanas, doido, energúmeno, enfadonho, entorpecido, estulto, estúpido, grosseiro, idiota, ignorante, imbecil, imperito, incapaz, inepto, ingénuo, insensato, jerico, jumento, lambão, lerdaço, limitado, lerdo, lérias, lorpa, lunático, manco, mentecapto, microcéfalo, molusco, néscio, obtuso, onagro, otário, pacóvio, palerma, pancrácio, papalvo, paralisado, patinho, pato, parvalhão, parvo, pascácio, paspalhão, patego, pateta, pedaço-de-asno, pequeno, perturbado, retardado, ridículo, rombo, rude, simplório, songo-mongo, sonso, sobreiro, tacanho, tanso, tapado, tantã, teimoso, toleirão, tolo, tonto, totó, toupeira, trouxa.

Fevereiro, dia 13:

Ninguém tem especial prazer em reconhecer que não passa de uma besta quadrada, de um verdadeiro asno, de um grande burro ou, simplesmente, de uma mula. Se pensarmos um pouco no assunto é normal. A burrice, seja qual for o seu grau, não só não dá currículo, como não ajuda nada no desenvolvimento pessoal e apenas se demonstra útil para aqueles que normalmente gostam de seguir a carneirada. Não se sabe a origem, mas é um facto que, todos os tipos de burros, têm um gosto especial pelos carneiros e seus rebanhos. Há quem defenda que os níveis intelectuais os aproximam mais do que as diferenças morfológicas os afastam. No entanto, não há certezas.

Fevereiro, dia 14:

Está, contudo, provado que a burrice não é uma mera condição hereditária. No final destes últimos anos do primeiro quartel do século XXI já sabemos, inclusivamente, que existem vários fatores externos ao individuo burro que contribuem sobremaneira para o seu desenvolvimento, disseminação e expansão exponencial. Os primeiros grandes contribuintes são, logo à partida, a sociedade e os países, com cada Estado a tentar convencer os seus cidadãos que as regras, leis e ordem do território são premissas inquestionáveis. O mesmo acontece com a religião, a filosofia, o associativismo e a política, só para abordar alguns dos gigantes.

Fevereiro, dia 15:

Todavia, o século passado juntou alguns ingredientes indispensáveis à massificação do idiota, quero dizer, do burro. Entre eles a rádio, a televisão, o cinema e todos os meios de comunicação do telefone aos telemóveis, até à internet e aos jogos eletrónicos. Depois somou-se-lhe a publicidade e a moda, e, já no nosso século, a globalização à séria, o capital desregulado, as redes sociais e a desinformação descarada. Um caldo perfeito para o mundo civilizado poder ser alarvemente invadido por gente burra.

Fevereiro, dia 16:

Estamos na era do asno moderno, mas que permanece em total negação da sua absoluta burrice. No final do segundo milénio era comum escutar provérbios sobre o assunto que sugeriam coisas do género: “À primeira cai qualquer, à segunda cai quem quer e à terceira só cai quem é burro”. Ora, esta fraseologia está totalmente obsoleta. O burro moderno cai logo à primeira e o mais espantoso, dizem alguns teóricos da burrice, é que muitos deles já nem caem, atiram-se.

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Mais uma vez não tenho remédio e já me estou a alongar na minha carta. Terás de reconhecer, amiga Berta, que a burrice é um tema fascinante. Contudo, amanhã também é dia. Despede-se este teu saudoso amigo, com um beijo, sempre ao dispor, caso seja necessário, e com um sorriso nos lábios

Gil Saraiva

 

 

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