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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Livro - O diário Secreto do Senhor da Bruma - Os Primeiros Apontamentos - I.6

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Olá Berta,

Perguntaste-me tu, na resposta à minha última carta se o Diário Secreto do Senhor da Bruma vai ser todo assim e se te o vou enviar de seguida de fio a pavio. A resposta é negativa para ambas as questões. Se reparares na carta do dia 28 de junho, eu início o primeiro capítulo com apontamentos e escrevo, a negrito, logo no início: “Um capítulo avulso, ao sabor dos dias, sem grande linha condutora.”

Quanto ao envio do diário, para já, apenas te envio o primeiro capítulo. Senão a coisa arrisca a tornar-se chata. Mesmo sendo um diário, afinal é um livro enviado à prestações. Uma nova série será enviada, mais tarde, quando o intervalo te tiver permitido descansar da primeira leva deste diário secreto. Mas vamos continuar:

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I

Os Primeiros Apontamentos (continuação I-6)

Fevereiro, dia 3:

Chicão:

  • Termo usado como diminutivo (aumentativo) de Francisco com a finalidade de proporcionar ao seu utilizador um ar de virilidade e perigo, independentemente de ele ser ou não alguém a respeitar, por bons ou maus motivos. Recentemente muito falado por ser alcunha de um líder partidário com assento parlamentar (não confundir com para lamentar). No caso concreto, o seu uso tenta dar volume e dimensão a um individuo franzino, magro em suma, de fraca figura, atormentado por tremores de terra, cuja inteligência nada fica a dever se comparada ao intelecto normalmente atribuído àqueles que usam a mesma alcunha ou outra do mesmo calibre. Este é um caso típico do velho ditado que diz: “a montanha pariu um rato”.

Fevereiro, dia 4:

O problema da linguagem dentro da língua:

  • Há as pessoas que falam, para se fazerem entender, e as que o fazem precisamente na busca insana do seu contrário.

Dou um exemplo simples:

“Pesquisas sem elevado epítome:

  • Análise zodiacal na perspetiva metafísica, no âmbito interativo entre os vetores ontológicos e os fatores cosmológicos reagentes, enquanto enquadrados na visão astrológica, e a sua direta aplicação antropomórfica nos procedimentos cognitivos dos seres humanos, se constituintes de um mesmo signo, no prisma do seu influxo no desenvolvimento do carácter globalizante apenso a um grupo circunscrito (como acontece no espetro conjuntural de um signo específico):
  • Explicada a abordagem, o quesito a esclarecer é o de concluir, pelo eruditismo, se, na análise proposta: existem estudos liquidantes da asserção reacionista entre zodíaco e personalidade, podendo-se afirmar tal sem mais circunstancialismos de correlação?
  • Por outras palavras, bem mais baratas e populares, os 2 parágrafos de cima podem ser resumidos por:
  • É verdade que os signos do zodíaco influenciam as pessoas?”

Fevereiro, dia 5:

Explicações lógicas sobre o uso das linguagens, na própria língua:

1)   Este tipo de questões, elaboradas de forma complexa, são usadas pelas diferentes linguagens, de setores que pretendem manter-se herméticos, ou seja, completamente fechados, para a população em geral. Basta pensarmos no vocabulário e construção textual de clusters ou setores como o da medicina, do direito, das engenharias, entre outros.

1.1) Em resumo: as linguagens próprias de certos campos sociais ou profissionais, etc., não servem apenas para ajudar o grupo a entender-se, mas, também, para dificultar a entrada de “turistas de pé descalço” no seio do seu nicho de mercado.

1.2) É assim entre filósofos, matemáticos, cientistas e todo o tipo de pensadores, compartimentados nos seus restritos e protegidos conhecimentos. Não passam globalmente de pretensiosos xenófobos do falar ou do escrever, digam o que disserem. Disfarçados na hermenêutica cooperativista e sectária da sua linguagem.

Fevereiro, dia 6:

2) Para esta gente, a ralé somos todos nós, os que, vindos de fora, ignoram o significado da sua linguagem. Ora eu, como ralé e pé descalço, quero que os ditos especialistas vão todos ter muitos meninos. Há que desmitificar de uma vez por todas estas linguagens, cuja tradução tem sempre um equivalente na nossa conversação corrente.

2.1) Se um qualquer pensador me disser, do alto da sua sabedoria, “in vino veritas” eu tenho é que lhe perguntar porque raio não me disse ele antes: “- Bebe pá, vais ver como confessas”.

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É com o escrito de 6 de fevereiro que termino a carta de hoje. Recebe um beijo de saudades, como despedida longínqua deste teu amigo que jamais te esquece,

Gil Saraiva

 

 

 

 

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