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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Livro - O diário Secreto do Senhor da Bruma - Os Primeiros Apontamentos - I.1

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Olá Berta,

Finalmente chegamos hoje ao primeiro capítulo do Diário Secreto do Senhor da Bruma. Espero que te divirtas a ler o mesmo que eu me diverti a escrever. Algumas coisas já leste quando te enviei os excertos 1 e 2.

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I

Os Primeiros Apontamentos

 

I

Janeiro, dia 1:

Um capítulo avulso, ao sabor dos dias, sem grande linha condutora.

Reflexões:

  • Esta noite estou sem sono e, para meu azar, estou sem “meo”, ou seja, sem televisão, sem internet, e de nada me serve ter telemóvel porque continuo a usar um modelo Nokia de 1999. De repente dou comigo a pensar: “Será que o facto de eu ser app-deficiente me dá direito a benefícios fiscais? Amanhã tenho que ligar para as finanças.”

Janeiro, dia 2:

  • Faz hoje 4 dias que vendi o meu carro. Depois de tanto confinamento teve que ser. Para além do seguro anual, do imposto para as finanças, da inspeção, do ACP, da Via Verde, do selo de residente da “emel”, dos talões de estacionamento, do preço das lavagens, da gasolina e das revisões, já estava a gastar mais 25 euros de cada vez que queria sair com ele. Mais do que uma viatura era uma dor de cabeça.
  • Quanto a sair, nem podia ser por acaso, por me apetecer, afinal, de cada vez que precisava de me deslocar, tinha de pedir ao meu mecânico para me vir carregar a bateria. Pimba, 25 heróis só para poder tirar o carro do lugar, em horas marcadas pela disponibilidade da minha oficina. Em vez de confinado estava a ficar contuso, ou seja, sem dinheiro para tanta chatice, teso e não no bom sentido.

Janeiro, dia 3:

Observações genéricas sobre práticas e filosofias budistas:

1) Filosofia nepalesa:

  • No Nepal, na terra dos monges, da paz e do budismo, as mulheres menstruadas (e durante todo o tempo do período), são expulsas de sua casa pela família e obrigadas a ausentarem-se da terra onde vivem, pelo menos até ao limite da aldeia, vila ou cidade, não podendo contactar outros seres humanos.

Janeiro, dia 4:

2) Raciocínio nepalês:

  • Todas as mulheres menstruadas estão impuras, sujas, conspurcadas e impróprias enquanto a coisa dura, isto num tempo em que coisa dura também só existe através de um árduo trabalho manual.

Janeiro, dia 5:

3) Questão nepalesa:

  • Será que se elas morrerem nesta altura precisa têm lugar no paraíso budista? Não sei, contudo, dá que pensar…

Janeiro, dia 6:

4) Resultado prático da filosofia nepalesa na minha vida:

  • Já começo a entender porque é a senhora da loja da fruta, onde vou aqui no bairro, desaparece da caixa sempre por 4 ou 5 dias seguidos. Fico também a saber que o esposo é um mentiroso, a mulher não está a tratar da tia doente, em casa, tem é um marido idiota, no mínimo, para não ser muito ofensivo.

Janeiro, dia 7:

5) Pensamento budista:

  • Apenas os homens podem aspirar a ser monges, eles nunca ficam impuros. Mas se aparecesse um monge menstruado todos saberiam que andava a enganar o mosteiro ou a ser papado pelo Mestre. Não sei se tem lógica, mas parece-me a única explicação.

Janeiro, dia 8:

6) As Energias Budistas no Japão:

  • Um dia mostrei à minha prima esta faceta da cultura budista. Os documentos, os testemunhos, as fotos, enfim, as provas deste absurdo. Ela que era uma Mestre de Reiki, que sentia energias interiores como ninguém, virou uma tartaruga ninja e agora pede para a tratarem por Raphael. Ah, do nada desenvolveu um gosto absurdo por pizza. Para além disso, sempre que hoje em dia ouve falar em energia fica possessa e desata a partir tudo o que tiver à mão. No mês passado foi a urna do avô paterno que acabou a sua existência em cacos ao embater no louceiro da tia Filipa.

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Por aqui me fico, amiga Berta, pois já é tarde e estou com sono. Despede-se com um beijo este teu amigo saudoso, certo de ser igualmente correspondido, sempre ao teu serviço,

Gil Saraiva

 

 

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