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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Livro - O diário Secreto do Senhor da Bruma - Introdução - 2

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Olá Berta,

Mesmo antes de deixar que este livro, que te estou a enviar a prestações, te revele as origens do Senhor da Bruma, importa introduzir a explicação sobre a própria existência do Senhor da Bruma. Não quero deixar qualquer confusão sobre o significado e força deste conceito que, quanto a mim, é tão real como a minha própria imaginação.

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Diário Secreto do Senhor da Bruma - Introdução - 2

Vistas as coisas pelo meu ângulo, sou tentado a imaginar que todos teremos um Senhor da Bruma dentro de nós, pelo simples facto de eu não me considerar um ser especial nesse sentido, apenas lhes damos nomes diferentes, seguindo as nossas próprias singularidades e caraterísticas. A questão que se põe, quanto a mim, é se todos lhe damos a liberdade necessária para ele se manifestar, como é o meu caso e exemplo, naquilo que eu forneço ao meu Senhor da Bruma, sem restrições ou amarras...?

A castração deste ser interior, que é bem mais do que um alter ego que, segundo Cícero era o nosso substituto perfeito, esse ser que nos representava tão bem, que podia até superar o próprio ser de quem é originário, acontece em muitos humanos e é algo que repudio em absoluto.

Reconhecer o meu Senhor da Bruma, não é o mesmo que ter a duvidosa dupla personalidade do alter ego ou a vida dupla a que a filosofia se refere quando o reconhece em alguém, nem mesmo, no sentido literário de alter ego, o meu Senhor da Bruma é a personagem de ficção que apresenta, em palavras e atos, numa história, as minhas ideias.

Nada disso. O Senhor da Bruma é mais do que o meu outro eu. Trata-se de mim, o mesmíssimo eu, em todos os planos da minha vida, com exceção feita ao universo restrito da realidade. Ele faz tudo o que eu faria nos mundos imaginários das ideias, dos pensamentos, da ficção e da fantasia, porém, com a diferença que ele consegue agir em tudo aquilo que o meu eu original não tem como alcançar, pelas próprias limitações normais do meu ser físico e psíquico.

Em resumo, ele não é um reflexo de mim, um outro eu, a personalidade projetada de mim, mas, apenas, uma faceta de tudo aquilo que me constitui enquanto ser humano. Sem tirar, nem pôr, uma parte integrante do meu todo.

O Senhor da Bruma é um ser que, embora sendo parte integrante de mim, tem uma liberdade e uma existência bem mais abrangente do que a que é comum em qualquer mortal.

Ele viaja no tempo e no espaço sem preocupações de caráter físico, biológico ou orgânico. Pela simples vontade, consegue materializar-se onde lhe apetece, passar invisível por uma sala cheia de gente e tem todas as capacidades paranormais que a imaginação lhe consegue conceber.

Mais do que um estro, um ego ou uma essência imaterial, ele é tudo aquilo que eu poderia ser, se a minha imaginação tivesse o conhecimento necessário para transformar esse universo paralelo em realidade. Mas não é dessas capacidades de que falo neste diário, não são descrições fabulísticas do que conseguiria fazer usando esta ou aquela capacidade criada pelo meu imaginário. Nada disso. Este é um arquivo de pensamentos e reflexões que, por vezes me surgem quando estou na pele do Senhor da Bruma e que, dificilmente, poderiam ter sido pensadas por mim, se ele não existisse.

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Espero, minha querida Berta, ter conseguido transmitir-te, sem deixar margem para dúvidas, quem é o Senhor da Bruma e tudo o que ele representa e importa enquanto parte integrante de tudo o que me constitui. Com isto me despeço, por hoje, feliz por te saber desse lado. Recebe um beijo amigo e franco deste que não te esquece nunca,

Gil Saraiva

 

 

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