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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Fumar ao Ar Livre (Excerto - V do Diário Secreto do Senhor Da Bruma - Capítulo IV)

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Olá Berta,

Ontem, em Espanha, o Governo Espanhol lançou mais uma medida de combate ao Covid-19, com o apoio das regiões autónomas e do poder local do país. Voltam a fechar os bares e as discotecas e, à boleia da desculpa de melhorar a saúde, decidiram proibir a população de fumar ao ar livre.

Estamos a chegar à ditadura das democracias, apoiada em desculpas como a da segurança nacional e da saúde pública dos cidadãos. Pela primeira vez, abre-se um precedente na Europa, ou seja, à boleia da pandemia, implementam-se proibições, que já nada têm a ver com a sua propagação pela população.

Poderemos dizer que nada disso se passa em Portugal, mas a Ministra da Saúde, Marta Temido, não deixou os portugueses descansados com as suas declarações sobre o assunto. Pelo contrário, afirmando que o Governo não pondera ainda proibir de fumar ao ar livre, deixa descaradamente em aberto a possibilidade de tal poder vir a acontecer.

O paternalismo nacional dos países ditos civilizados avança para níveis impensáveis desde há 50 anos para cá. As primeiras manifestações deste tipo começaram nos Estados Unidos da América, onde o poder sempre tratou o povo como gente que precisa de regras e proibições para aprender a conviver em público.

A perseguição, imposta pelos lóbis, ao tabaco e ao álcool, no caso da Europa, não visam, nem nunca visaram, proteger a saúde pública. Basta ver a percentagem de verbas que os Estados ganham com os impostos sobre este tipo de consumos, se lhe somarmos ainda as receitas cobradas em taxas e derivados, sobre os combustíveis fósseis, estamos a falar da maior fatia de receitas de um setor do dito mundo civilizado, relativamente a todas as outras.

A hipocrisia é descarada, frontal e agora começa a entrar no foro da arrogância pura. Os mais de 10 mil milhões de euros de receitas em impostos, taxas e impostos especiais sobre estes produtos demonstra bem a importância dos mesmos no orçamento do Estado. Só os impostos sobre o tabaco e o álcool representam, juntos, quase 50% desse valor. Mas o que mais impressiona é que este conjunto restrito de produtos é responsável por mais de 13% das receitas anuais do Estado.

Em resumo, recriminam-se aqueles que mais contribuem para o PIB nacional. É realmente admirável. Marta Temido que esqueça o ainda, relativamente à possibilidade de vir a privar os portugueses do direito a fumarem ao ar livre. É que se o povo se cansa depois é difícil acalmá-lo. Fica num beijo simples na despedida de hoje deste teu amigo,

Gil Saraiva

 

 

 

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