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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Flagrante Delírio e Pega Aí o Desconfinado

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Olá Berta,

Há dois novos jogos de sociedade que já se espalharam pelo mundo inteiro. O Primeiro precisa de um dirigente de qualquer ou de um político para ser jogado e dá pelo nome, em Portugal, de “Flagrante Delírio”, o segundo tem um nome com sotaque vindo do Brasil e chama-se “Pega aí o Desconfinado”.

O “Flagrante Delírio” tem vários protagonistas e foi lançado por Graça Freitas, nos idos de março do ano passado, quando afirmou publicamente que as máscaras cirúrgicas davam uma falsa sensação de segurança, depois a comunicação social divulga e quem, da população, se rir mais, ganha pontos. O jogo rapidamente se propagou por todo o mundo, tendo, no Brasil, Jair Bolsonaro como principal representante da marca na América do Sul.

A sua última contribuição para o jogo foi quando, indagado pela imprensa sobre as elevadas despesas de alimentação do Estado, principalmente em leite condensado, respondeu “Leite Condensado? É para enfiar no Rabo de Vocês (…) seus filhos da puta.” Em Portugal é Eduardo Cabrita, o Ministro da Administração Interna, quem leva a dianteira, no jogo, seguido de perto por André Ventura. O primeiro, considerado o ideólogo do jogo por cá, já em julho de 2019 dizia aos jornalistas que o entrevistavam que: “Vocês abrem a boca e deixam sair as maiores asneiras que vos vão na mente”.

A última do Campeão Nacional foi na sexta-feira na Assembleia da República, onde o político vociferou, contra o próprio umbigo, no púlpito, a propósito do novo Estado de Emergência. Depois temos os casos delirantes de dirigentes que vacinam pastelarias ou de presidentes de câmara que se vacinam por ocuparem cargos por inerência em lares. Enfim, toda a gente faz um esforço para participar no “Flagrante Delírio”.

Se o primeiro jogo se joga com a colaboração das elites o segundo é realizado entre as forças da ordem e a população em geral, com a colaboração de alguns comerciantes, donos de restaurantes ou bares e prestadores de serviços. Este jogo, o “Pega aí o Desconfinado”, permite cenas hilariantes únicas em televisão.

No “Pega aí o Desconfinado” temos cenas verdadeiramente hilariantes desde o desconfinado que, à falta de cão, passeava uma trela no passeio marítimo de Cascais, aos que apanhados num bar se esconderam no sótão ou que tentaram fugir pelo esgoto das águas ou ainda os que se esconderam na casa de banho, com a desculpa de que se sentiram mais apertados. Mas, na vizinha Grã-Bretanha, temos as pacatas donas de casa a fugir, rua fora, ainda com o shampoo do cabeleiro na cabeça.

Tudo serve para participar neste hilariante jogo. Na Polónia uma idosa infetada com Covid-19, foi apanhada num jardim, tendo-se escondido atrás de uma moita, na altura informou a polícia quando foi apanhada que: “estou a tentar cagar mais rijo, ao frio, pois a Covid-19 dá-me diarreia, juro que não estou a tentar abortar”. Enfim, há de tudo e para todos os gostos, basta estar atento ao que vai sendo divulgado pela comunicação social.

Por hoje é tudo, querida Berta, espero que tenhas sorrido alguma coisa com estes dois novos jogos sociais. Despede-se, com um beijo virtual, este teu amigo, sempre à disposição para o que der e vir,

Gil Saraiva

 

 

 

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