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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Ensaio Sobre O Beijo - O Colecionador de Beijos (Chiado Books) - Introdução - I/II

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Olá Berta,

Como pediste para te enviar todo o preâmbulo do “Ensaio Sobre o Beijo – O Colecionador de Beijos”, editado pela Chiado Books, aqui vai a explicação do Título e a primeira parte da Introdução. Amanhã enviar-te-ei a conclusão da introdução.

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"Título

O Colecionador de Beijos é um ensaio que resulta da análise histórica e social do papel do beijo através dos tempos, desde o berço das civilizações até aos nossos dias. Contudo, sem procurar criar uma cronologia por região, época ou povo, como seria feito no caso de se tratar de uma abordagem iminentemente histórica.

O beijo é fruto, da concretização de um ato que exige sentimentos e sentidos, sendo resultado de um plano biunivocamente traçado. Tem a caraterística singular, se bem que muitas vezes aparente, de transmitir confiança a outro alguém, de demonstrar afeto ou de servir de cumprimento caloroso, quer num qualquer regresso ou chegada, quer num momento de partida ou de despedida mais ou menos breve. Visualmente é representado pelo desenho de uns lábios femininos rubros e semiabertos.

Aliás este esboço é utilizado de maneira corrente nas redes sociais, quer através do próprio desenho, quer pelo uso de um “emoji” que o represente. Escolher o Título de “O Colecionador de Beijos” para o atual ensaio, ilustra, na minha perspetiva, por si só, a importância social do beijo. Afinal, ele até tem um papel curativo, de raiz bem popular. Quantas mães e avós não curaram já os “dói-dóis” das criancinhas a partir de um beijo no lugar afetado ou próximo deste?

Introdução

O Colecionador de Beijos, ensaio jornalístico e literário, de matriz sociológica, do ato de bem beijar, procura a vertente sociológica e cultural, não perdendo as raízes históricas e a composição literária e humanista do beijo. Não é, porém, um ensaio académico de base científica porque, objetivamente, nunca o poderia ser. Por mais que se tente não se consegue sintetizar ou analisar, o beijo, nem mesmo o ato de beijar, isoladamente, sem ter em conta toda a imensidão de afetos, respostas sensitivas e sensoriais que o rodeiam e influenciam.

O beijo é um produto composto e, embora se apresente com uma identidade singular, muita tinta precisa de correr para que ele se realize numa das suas tão variadas formas e feitios. Diferente seria se estivesse a escrever um ensaio sobre a introdução sociológica do papel higiénico na sociedade portuguesa. Aí sim, teríamos à mão um produto final que poderia ser analisado de um modo bem mais académico, sistematizado cientificamente e enquadrado com razoáveis limites de precisão em termos históricos, sociológicos e culturais, fosse ou não a analise ensaísta literária e jornalística.

Mas não é esse o caso aqui. Nem poderia ser, derivado da imensa complexidade que o mais simples beijo exige. Por isso, este ensaio, é declaradamente um ensaio jornalístico e literário de análise sociológica, humanista e cultural. Pode-se até incluir uma lufada sistematizada de psicologia e inteligência emocional, mas não há, no meu entender, maneira de ir mais longe num ensaio que verse esta temática, usando esta abordagem.

A pergunta que esta introdução deixa no ar é a seguinte: É ou não relevante o beijo no contexto do comportamento humano em sociedade? Proponho-me a demonstrar que a resposta é afirmativa sem qualquer margem para erro, mesmo nas sociedades onde o beijo só é praticado na privacidade do lar ou do leito conjugal. Se analisarmos, por exemplo, o Japão tradicional e conservador vamos descobrir que o beijo, não sendo um ato público, continuou determinante portas dentro, no seu papel aglutinador de um determinado par ou no seio de uma família. Só agora, ainda a título de exemplo, é que, no país do Sol Nascente, já 28% dos jovens urbanos se beijam em público e, mesmo assim, só se não se encontram sob o olhar atento dos progenitores. Mas se este já é um comportamento fruto da globalização, dos filmes e das redes sociais, está ainda a léguas de se tornar efetivamente uma conduta tipicamente japonesa.

Tendo iniciado a minha atividade jornalística em 1981, há trinta e oito anos atrás, e tendo conseguido a carteira profissional em 1996, exatamente quinze anos depois do início, conforme a lei da altura o previa e regulamentava, julgo poder afirmar, com segurança, que a realização deste ensaio tem, na experiência acumulada, base suficiente para poder vingar. Ainda para mais que, muitos desses anos, foram passados no âmbito da investigação jornalística, para jornais locais onde o apuramento da verdade dos factos ou dos feitos é muito mais importante do que nos grandes títulos nacionais. Como a minha atividade académica, a nível universitário, se pautou por cerca de 18 anos de estudo interessado, fosse no Curso de Direito em Coimbra, nos Estudos Portugueses, Cultura e Expansão em Faro, na Filosofia no Porto ou na Psicologia Clínica no Polo Universitário de Loulé, julgo poder afirmar ter garantido uma plataforma estrutural suficiente para, conjuntamente com a experiência jornalística, conseguir desenvolver este projeto de forma cabal e conseguida. Porém, a minha convicção não deixa de ser apenas e somente uma mera opinião sobre um tema que me é caro."

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Espero que te esteja a agradar, nem me tinha lembrado que alguém pudesse ter interesse nas motivações e narrativa antecedente aos beijos em si. Fica um deles para despedida, deste teu amigo do costume,

Gil Saraiva

 

 

 

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