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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Enfurecido - Parte IV/IV

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Olá Berta,

Não comeces já a rir de mim. São coisas que acontecem. Mas, embora me custe, informo-te que continuo em crescendo na minha indisposição. Primeiro cansado, depois farto, em seguida enervado e agora enfurecido. Um poker de ases que os meus dias de indisposição parecem querer abarcar. Tu estás com azar, minha querida amiga, na hora de te escrever, nos últimos dias, algo me tem virado do avesso.

Enfim, nem só de pensadores vive o homem, mesmo que para ele os que pensam sejam importantes. O tema de hoje recai sobre a violência doméstica. Esta praga infame que dura mais que as pilhas do coelhinho da publicidade televisiva.

Hoje foi um cidadão de 79 anos que, numa rua em Esmoriz, resolveu começar o dia assassinando a mulher, de 57 anos, a tiros de caçadeira. Diz a população, segundo as notícias, que não havia sinais de violência entre o casal, mas o que sabe a população sobre o assunto? Tanto quanto eu. Não é à população que cabe prevenir e avaliar situações de risco. Dizem as notícias que o alegado homicida tem uma doença terminal, pena que não tenha decidido antes acabar com ele em vez de assassinar a própria mulher.

Só falta agora a nossa justiça alegar insanidade e mandar o sujeito para casa. Já vi casos mais escandalosos do que este.

O outro dia uma outra notícia falava da destruição de 7 mil e quinhentas armas em Portugal por parte da polícia. Mas quantos malucos existem ainda armados em Portugal? A quantos casos teremos nós de assistir para que a posse de arma passe a ser algo devidamente referenciado e ponderado na Lusitânia?

O alerta da ocorrência foi rececionado às 9 e trinta da manhã. O assassinato deu-se na EN109, a pouca distância do local de trabalho da vítima. Provavelmente, a defunta ter-se-á alegadamente esquecido de dar o pequeno-almoço ao marido ou de retirar as côdeas do pão com manteiga? Há coisas que me transcendem.

Sabes Berta, eu sou, em princípio, contra a pena de morte. Mas tem de haver justiça. Quem comete um crime contra outro ser humano tem de pagar por ele na justa medida. Seja violência doméstica, seja sexual, seja lá o que for. A pena tem de ter o devido castigo bem determinado na hora de ser pronunciada a sentença. E depois não há lugar, nem pode haver, a amnistias, indultos, perdões, ou seja, lá o que for. Crimes contra pessoas não têm desculpa, nem reduções de pena.

Hoje, fico-me por aqui, amiguinha querida, e desculpa mais um desabafo. Já vão 4. Recebe um beijo de despedida, deste teu amigo de sempre, que não te esquece nunca,

Gil Saraiva

 

 

 

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