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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Enervado - Parte III/IV

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Olá Berta,

Minha querida amiga, se há 2 dias estava cansado, se ontem me viste farto, hoje encontras-me enervado. Como é evidente e fácil de imaginar não estou há 3 dias numa ascensão de irritabilidade ou algo que o valha. Continuo, na maioria de cada um dos dias, a ser o mesmo individuo pacato, calmo, feliz, que acha que todo o mundo é essencialmente bom até prova em contrário, salvo raras exceções, algumas delas públicas e do conhecimento de todos nós.

Mas isso não impede estes momentos menos neutros, em que a água ferve ao lume. Aliás, para bem da verdade, acho que sempre fui assim. O que tem acontecido é que, na altura em que me sento para te escrever, no instante anterior, lá me deparei com mais uma situação que me revolta e irrita. Sem querer, acabo desabafando contigo. O que me vale é eu ter a certeza que tu tens a paciência dos anjos.

Ontem, falei-te das situações que me revoltam e no tratamento repugnante que considero que é dado aos anciãos portugueses. Mas poderia ter falado da escravidão de imensos emigrantes estrangeiros que, no nosso país, continuam a ser tratados como recurso barato e descartável, nas explorações agrícolas no Alentejo e noutros pontos do país. Enerva-me que assim seja.

Enervam-me as negociatas entre a segurança social e o role de pensões baratas que acomodam refugiados e estrangeiros à espera de visto ou noutra qualquer situação, como se esta gente se tratasse de gado para abate ou coisa que o valha, aos 6 e aos 8 no mesmo quarto.

Enerva-me que, quando um desses casos vem a público, apareçam uns senhores bem compostos a justificar que o Estado não tinha como imaginar que a situação estava a ser vivida daquela maneira. Enerva-me que o país continue a constar, ano após ano, nas denúncias da amnistia internacional por abusos ou violações de direitos humanos. Tudo isto me enerva, minha querida amiga, e se calhar também a ti. Tentamos não pensar muito no assunto, só que, lá está, ele há dias em que a coisa vem à tona e que nos sentimos obrigados a um desabafo.

Por hoje já fiz o meu e por isso me despeço com carinho e um beijo de até amanhã. Fica em paz. Este teu amigo de sempre,

Gil Saraiva

 

 

 

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