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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Electro Neves - Será o Carlos o Maior Burlão de Campo de Ourique?

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Olá Berta,

O tema da carta de hoje demonstra como, às vezes, mesmo quem anda atento ao que se passa no meio onde vive, como é o meu caso, sempre na busca de informação relevante para aqueles que, como eu, adoram o bairro onde vivem, não vê ou nem se apercebe de tudo o que o rodeia. Aconteceu comigo, bem no meu raio de vizinhança e não dei por nada, nem sequer vi, e olha que sigo o programa, a reportagem da TVI na rubrica “Acontece aos Melhores” sobre o assunto. Porém, esta semana acabei, por motivos pessoais, por me deparar com toda a situação.

Estou a falar do fecho da loja da Electro Neves em Campo de Ourique e, pelo que averiguei, também noutro ponto da cidade. De um momento para o outro, ambas as lojas encerraram e foram escoadas de todo o recheio que continham. O site de venda online também saiu do ar e telefones, telemóveis e correio eletrónico de contacto com o gerente das lojas, sócios e funcionários deixou de funcionar, ao que parece, na mesma altura em que se deu o esvaziamento físico dos espaços comerciais.

Eu, minha querida amiga Berta, só dei conta do sucedido porque precisei dos serviços do estabelecimento do senhor Carlos Rodrigues. Com efeito, na passada terça-feira, a senhora que me vem aspirar e limpar o pó à casa, de quinze em quinze dias, foi indiretamente causadora deste despertar.

Quando acordei já a senhora tinha acabado as lides da limpeza e, na cozinha, estava o meu aspirador, comprado já lá vão treze anos, na Electro Neves, de quem sou cliente há 39 anos (desde os tempos em que era o pai o dono do negócio), com um papel em cima que dizia: lixo.

Resolvi interromper, mais uma vez, o meu confinamento e deslocar-me à Rua Tomás da Anunciação para adquirir um novo aspirador. Foi no decurso desta saída (e das investigações posteriores) que me senti tremendamente triste. A loja da Electro Neves estava vazia, tinha sido completamente esvaziada de conteúdo, durante um sábado, desde o princípio da tarde até à madrugada do dia seguinte. Pelo que soube o mesmo aconteceu na outra loja da família.

Depois descobri muito mais coisas, nas notícias, no portal da justiça, nas finanças, nos fornecedores e através do portal da queixa, onde clientes se queixavam ter sido burlados em totais que ultrapassavam dezenas de milhares de euros. As dívidas das duas empresas, pois que ambas representam a mesma marca, apanhavam todos sem distinção. Bancos, fisco, segurança social, fornecedores, clientes, senhorios e mesmo a antiga família.

Com efeito (coisa que eu desconhecia) o Carlos Manuel dos Santos Rodrigues, dono da empresa Luz Ardente, Unipessoal Limitada, ou seja, o Carlos, tinha uma nova relação e cortara os seus laços familiares para se unir à sua nova sócia, agora proprietária da Electro Nevexpress, unipessoal limitada, a menina Roseli Aparecida Nós de Sousa, em vez da sua ex-mulher, antiga detentora desta empresa. Em conjunto com o site estas duas empresas constituíam a minha velha conhecida Electro Neves.

Depois de verificar todos estes dados em fontes absolutamente credíveis, a maioria delas estatais, segui a minha investigação por conhecidos, amigos, fornecedores, clientes e vizinhos do Carlos. A versão que corria, na esmagadora maioria deles, é que ele despachou tudo, angariou quanto pode, deixou dívidas por todo o lado, burlou tudo e todos, e fugiu para o Brasil com a sua nova amante, a tal menina Rosali.

Sinceramente, minha querida Berta, o Carlos que eu conheci e cujas firmas publicitei na minha revista “Lisboa com Alma”, no meu jornal “O Javali” e de quem fui anos a fio cliente, podia ter mau feitio, quando embirrava com um ou outro cliente, mas era um homem justo e de palavra. Para a versão corrente dos factos ser realmente verdade, então a tal de Rosali só pode ser uma poderosa feiticeira, que arrancou do Carlos a noção de bem, de bom senso, de justiça e de seriedade que sempre lhe moldou o caráter. Ora, eu não acredito em bruxas.

Junto em anexo a reportagem da TVI. O Portal da Queixa e tudo o resto é público e consegues ver, também tu pela internet. Porém, enquanto não escutar ou ler um depoimento do Carlos a confirmar que esta é a verdade, recuso-me a aceitar que não existam outras explicações, que, entretanto, desconheço, mas que até pode passar pela Covid, para tudo o sucedido.

Que me desculpem os lesados, as vítimas desta alegadamente imensa e monstruosa burla, aqueles com quem ele era antipático por embirração, até mesmo a sua antiga família, mas eu gosto de pensar que as pessoas são essencialmente boas e não o inverso, principalmente aquelas com quem tive relações de proximidade, porque realmente nunca fomos amigos, mas, mesmo assim, não me sinto no direito de o condenar sem julgamento.

Poderão, muitos dos que me escutarem dizer que eu sou ingénuo, pois serei, se for mesmo esse o caso, mas reafirmo que gostava de saber a verdadeira história pela boca do seu protagonista principal: o Carlos. Não sei o que tu pensas disto, querida Berta, mas eu sou e hei de morrer assim. Despeço-me, por hoje, com um beijo de até à próxima carta, este teu amigo de sempre,

Gil Saraiva

 

 

 

 

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