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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta; Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres

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Olá Berta,

Obrigado pela lembrança no teu email de ontem a propósito de hoje ser o Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres. Com efeito, embora eu tente manter-me a par deste tipo de efemérides, onde a relevância da mensagem ganha uma importância superlativa, podia dar-se o caso de eu não conferir a data, em tempo útil.

Sabes, minha querida amiga, não são poucos os dias deste género de alerta mundial, internacional ou europeu que me irritam. Com efeito, irrita-me que tenha de haver um dia contra o racismo, a xenofobia ou pela igualdade de género, só para dar mais alguns exemplos. Não consigo compreender que tenham de existir dias determinados para lembrar aos povos e aos governos coisas que deviam ser tão básicas e elementares como falar ou comer.

A violência contra as mulheres, principalmente a que está implícita neste dia internacional, quando praticada por homens, é de tal forma cobarde ou abjeta que, quase no final deste primeiro quartel do século XXI, já deveria apenas ser um caso raro e excecional, uma coisa que apenas ocorreria ocasionalmente sem a relevância que a prática ainda corrente lhe confere. Um homem que investe gratuitamente contra uma mulher é um ser que perdeu a noção do equilíbrio, com muito poucos atributos que o possam classificar como ser humano racional, moral e ético.

Não só a violência contra as mulheres é um atentado ao nível civilizacional em que o mundo se deveria encontrar, como, logo à partida, revela que, para esta acontecer, a própria igualdade de género também já foi quebrada.

Aliás, lembro que esta igualdade reconhece perfeitamente as diferenças entre mulheres e homens, só para falar destes dois casos mais óbvios, e não torna, nem muito menos implica que um género tenha de ser uma cópia fiel do outro. Nada disso, apela, pelo contrário, ao reconhecimento das diferenças e ao tratamento de qualquer dos sexos com imparcialidade e com o mesmo tipo de regalias, direitos e deveres, sendo que para tal se exige o respeito integral pelas especificidades próprias de cada género.

A eliminação da violência contra as mulheres exige dos governos uma legislação que puna com a mesma seriedade qualquer tipo de afronta, agressão ou ato violento de um homem que o pratique, tal como condena quando as situações se dão entre homens. A igualdade, liberdade e fraternidade não são conceitos que se apliquem apenas e só ao lado masculino e másculo da humanidade, nada disso, são conceitos universais que abrangem todo e qualquer ser humano.

Não me quero adiantar com exemplos sobre a matéria. Apenas desejo lamentar que, para se conseguir alguma justiça, ainda tenha que existir um dia internacional com esta denominação. Bom sinal será o do ano em que for extinto.

Por hoje é tudo, minha querida e simpática amiga, recebe como despedida um enorme abraço virtual, deste teu eterno amigo,

Gil Saraiva

 

 

 

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