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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

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Carta à Berta: Dados da Pandemia - Portugal e Rússia

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Olá Berta,

Espero que esta carta te continue a encontrar bem de saúde e de bem com a vida. Sabes, no meio desta pandemia trágica que assolou o mundo tenho procurado entender um pouco os números oficiais, que vão sendo divulgados pelos mais diversos países e territórios, no que diz respeito aos dados relacionados com o Coronavírus.

A constatação mais incrível que consegui fazer foi que, para meu espanto, ninguém, ou quase ninguém, diz a verdade sobre o que se passa dentro das suas fronteiras no que à pandemia diz respeito.

As mentiras estão relacionadas principalmente com o número de vítimas mortais, porém, continuam pelos valores oficiais da população infetada e propagam-se pelos restantes dados relacionados com a praga. O principal motivo é o político, seguido do geoestratégico, que mais não é do que uma derivação do primeiro.

Se olharmos para um dos dados mais fiáveis entre os publicados, nomeadamente o número de testes efetuados à população por cada milhão de habitantes, é fácil verificar que, dos 212 países e territórios com infeções declaradas, a quase totalidade da humanidade, entre os 90 países que têm uma população igual ou superior à nossa (cerca de 10 milhões e 300 mil habitantes), Portugal lidera, em primeiro lugar, o número de testes realizados aos seus habitantes.

Contudo, este dado cairia por terra se incluíssemos países cuja população estimada para este ano se aproxima muito da nossa, uma vez que Israel e os Emirados Árabes Unidos (ambos com mais de 9 milhões de habitantes), nos relegariam para o terceiro lugar do pódio no que à testagem diz respeito.

Um aparte interessante foi ter ficado a saber que apenas 13% da população, cerca de um milhão e 300 mil habitantes, dos quase 10 milhões de pessoas existentes nos Emirados são autóctones. Foi muito surpreendente descobrir que esta confederação de monarquias árabes, constituída por emirados ou principados quase tribais, criada em meados do século passado, no que concerne à sua formação e dimensão, possuíam, no ano em que eu nasci, ou seja, em 1961, um conjunto de pequenos reinos tribais que, todos juntos e somados, não chegavam aos 100 mil habitantes, isto é, 1% dos números atuais. Outra curiosidade engraçada foi verificar que por cada 100 habitantes apenas 30 são mulheres. É incrível constatar o poder político e estratégico do ouro negro nestes últimos 70 anos da história da humanidade.

Mas, regressando ao tema principal, que por certo não se esgota nesta carta, um bom exemplo da forma como os países manipulam os dados é o soviético. A sua recente mudança de estratégia é disso prova evidente, demonstrando que nada é o que parece.

Até há uns dias atrás a Rússia, com uma população de 144,5 milhões de habitantes (menos de metade da americana), estava interessada em dar ao mundo a ideia de que tinha poucos casos de infetados e menos ainda de mortos causados pela pandemia. Só que, contrariando a vontade das suas políticas, a disseminação da pandemia de forma assustadora no território e a necessidade de tomar medidas públicas, obrigou Putin a mudar de ideias.

Contrariado, resolveu começar a atualizar os números dos infetados, mas ocultando ainda a verdade dos óbitos. No espaço de uma semana e pouco as tabelas deixaram de registar umas poucas centenas diárias de infetados, para saltarem para a dezena de milhar de casos inscritos diariamente. Algo totalmente inexplicável não fosse a evidente demonstração de manipulação política. Nenhuma pandemia cresce mais de 1000% de um dia para o outro, digam lá os russos o que disserem.

Por hoje não me vou alongar mais nesta temática, contudo, voltarei ao tema em próximas cartas pois interessa-me bastante. Este teu amigo despede-se, por agora, com um beijo saudoso,

Gil Saraiva

 

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