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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Crónica de um Malandro

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Olá Berta,

Eu sei que a pandemia precisa de baixar a garimpa ou como diz aquela senhora com Covid, de achatar a curva. Mas ficarmos proibidos de circular entre concelhos? Assim? Genericamente para todo o país e até à próxima quarta-feira? Novamente?

A mim, egoisticamente falando, não me afeta. De qualquer maneira eu não fazia tenção de sair de casa. Por isso mesmo também não me afetam os confinamentos que se seguem, até ao mesmo dia, a partir das 13 horas ou das 15 horas. Mas já não se trata de começar ou não a cansar, o problema principal é o cheirinho a regime policial que finalmente paira no ar. Não o sentes, minha querida amiga?

Por outro lado, conforme bem sabes, estes preceitos nunca são tão para todos como se anunciam. Os chicos-espertos, aqueles que a toda a hora fogem às regras do confinamento, das medidas preventivas ou de quaisquer outras diretrizes da Direção Geral comandada pela senhora infetada, continuam impunemente a escapar às normas, como se nada fosse com eles.

Eu li, numa rede social, a história orgulhosa e quase homérica de um sujeito que nunca respeita o confinamento e que se gabava disso na dita cuja rede. Segundo ele, as regras são feitas para os otários, os bananas, os tolos e os que se comportam sem espinha vertebral.

Contava o sujeito que tinha criado, no seu computador, em sua casa, uma empresa fictícia de avaliação de imóveis. Mandara até, já há meses, fazer um carimbo da dita empresa fantasma. Escolhera inclusivamente, na página do Racius.com um número de contribuinte de uma empresa que fechou no início do ano. Depois deu-se ao trabalho de inventar um estacionário, ou seja, envelopes, papel timbrado, até mesmo uns cartões profissionais de avaliador. Só faltou mesmo dizer em público o raio do nome da empresa inventada.

Ora o sujeito, que mora em Sintra, de cada vez que pretende sair de casa, seja lá para onde for, imprime uma carta na qual só muda as localizações, os horários e os tempos de permanência do local para onde se dirige. Se pretende levar alguém com ele, faz novas cartas, envelopes e cartões com os nomes, um a um, da amiga, amigas ou amigos que o acompanham e até já vende cartas a 20 euros, a conhecidos que precisem de sair. Ele muda moradas e os nomes, carimba as cartas e altera as devidas referências, depois trata de as digitalizar e enviar por email para os seus clientes.

Até se gaba de já ter sido mandado parar quatro vezes e, depois de conferida a documentação, tendo em seguida recebido a ordem para prosseguir viagem sem mais problemas. No meio das gabarolices ainda diz ter inventado o processo para ir tratar da amante que mora em Lisboa.

Ora, estes é que são realmente os sujeitos perigosos que por aí andam. Se ele ou algum dos amigos, clientes, ou seja, lá o que forem, estiverem infetados ou assintomáticos não há como os confinar, pois, segundo afirma, as autoridades não confirmam a veracidade das cartas porque isso é demasiado moroso, enquanto processo de averiguações, para se praticar nos postos de controle das forças de segurança.

Tentei novamente, depois de pensar no assunto, apanhar os elementos do sujeito para enviar para a polícia, infelizmente a mensagem com a história já tinha sido apagada, o que é uma pena. Acho realmente um perigo este tipo de práticas. É claro que elas só podem ser praticadas por gente de sangue frio, mas há muita gente assim, minha querida amiga. Por hoje é tudo, desejo-te um excelente dia em casa, mando um beijo saudoso, este teu amigo do coração,

Gil Saraiva

 

 

 

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