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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: Covid-19 - Vacinação Gratuita e Universal em Portugal. E Obrigatória?

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Olá Berta,

A minha carta de hoje prende-se com a notícia, do Jornal Público, que anuncia que «o Governo investe 20 milhões em vacinação “universal e gratuita”», contra a Covid-19. Esta é realmente uma notícia que merece destaque. Contudo, e eu nunca fico plenamente satisfeito com as coisas que leio, esta declaração devia dizer mais. Assim, conforme é descrita a coisa, embora me agrade a divulgação da intenção, não me deixa completamente satisfeito. Sinto ausência de mais responsabilidade e de alguma determinação.

Com efeito, na modesta opinião de um cidadão anónimo como eu, sinto alguma falta de rasgo e determinação naquilo que é a narrativa do Estado, ou seja, acho que esta era uma boa altura para o Primeiro-Ministro ser claro e determinado nas intenções. Assim, o anúncio deveria dizer: Costa investe 27 milhões em vacinação obrigatória, universal e gratuita. Porém, eu não escrevi 20 milhões, mas sim 27.

Porquê? Porque acho que era uma ocasião soberba para os socialistas se anunciarem solidários, cooperativos, agradecidos e fraternos para com os países de língua oficial portuguesa e anunciarem a oferta de toda a vacinação necessária a países como Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné e Timor-Leste pois estamos a falar de apenas mais 4 milhões, 72 mil e 122 pessoas, no total das 4 populações abrangidas. Um custo que não ultrapassaria os 7 milhões de investimento.

Angola, Moçambique e Brasil, já não precisam tanto do nosso apoio como os anteriores 4. Primeiro, porque têm entre 3 a 21 vezes mais população do que nós e, segundo, porque detêm outros recursos que os outros não abarcam. Talvez Moçambique pudesse ter algum apoio nosso, mas pela dimensão teria de ser sempre algo bem menos significativo do que para os países que referi logo à partida.

Todavia, ter anunciado a atitude e intenção com esta dimensão teria sido uma notícia de absoluta relevância. Seria sempre uma ação determinada, forte, atuante, séria, participativa, solidária e fraterna. Uma ação diferenciadora do que temos assistido no “venha a nós” de muitos outros países por este mundo fora.

Também a palavra obrigatória na vacinação deveria constar na notícia. É imperativo garantir à população de risco a segurança de uma vacinação plenamente universal, por isso obrigatória. Nestas coisas da vida e morte, da saúde e da doença, os paninhos quentes apenas nos dão uma falsa sensação de conforto, mas não resolvem os problemas pela raiz.

Contudo, e eu sou um crente nos homens, sempre e até prova em contrário, pode ser que algo de semelhante ao que acabo de desejar, venha a ser anunciado pelo nosso Governo, na pessoa de António Costa. De uma coisa tenho a certeza, nos próximos tempos jamais poderemos demonstrar tanta solidariedade e irmandade fraterna como desta vez, com um custo reduzido de apenas 7 milhões de euros. Despeço-me com o costumeiro beijo de até amanhã,

Gil Saraiva

 

 

 

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