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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

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Carta à Berta: Covid-19 em Campo de Ourique - Parte II

Berta 268.jpg

Olá Berta,

Graças à simpatia de um elemento do Grupo Tertúlia de Campo de Ourique, no Facebook, o Senhor Abel Rosa, que até discordava com a crónica, tive acesso a uma notícia da passada sexta-feira, publicada no jornal diário Público, a qual trazia alguns dados sobre a pandemia em Lisboa. Neste grupo gerou-se um debate vivo a propósito da carta que te enviei ontem intitulada “Covid-19 em Campo de Ourique. Dá a origem desta parte II.

Foi um debate muito interessante, com uma elevada participação das pessoas que me pareceram genuinamente interessadas em saber mais, aliás, os 93 comentários, 35 manifestações de gosto, tristeza ou espanto e mais de 2 milhares de visitas ao blog onde publico as tuas cartas, são disso prova evidente. A destacar convém ainda referir as intervenções dos administradores do grupo, neste caso pai e filho, nomeadamente Marcelino Laranjo e César Laranjo.

Este último, mais irreverente, bastante contrariado com a forma como a crónica estava escrita, considerando-a até desnecessária e alarmante, entre outras coisas. O pai, foi mais simpático e garantiu-me saber, de fonte segura, que não existiam casos de infeções ativas nos supermercados do Pingo Doce em Campo de Ourique, esclarecendo a dúvida que, sobre esse assunto, eu levantara na crónica, o que me descansou mais, pois moro em frente a um deles. Gostei muito, também, das intervenções de Joana De Mello Moser.

Infelizmente a divulgação do jornal Público não reporta o número de casos acumulados desde o início da pandemia, nem quantos desses já recuperaram. Apenas refere o número de óbitos existentes em cada uma das freguesias, quantos são os casos ativos e como se comportaram as freguesias entre o dia 9 e dia 15 de julho no que concerne a novas infeções. No caso de Campo de Ourique, a atualização avança até dia 17 pois podemos somar os casos divulgados pela reportagem da Sic.

Junto envio a informação do jornal Público colocada num quadro que permite uma melhor leitura da informação, onde já incluo a atualização da Sic, 2 dias depois, em 17 de julho, que apenas respeita o “upgrade” dos casos no caso Lar dos Cegos em Campo de Ourique.

Dados Covid-19 Lisboa 15 de julho.jpg

Porém, da análise dos dados torna-se evidente que os 55 casos ativos no Bairro, avançados por mim, na carta de ontem, nada tinham de alarmante e correspondem exatamente à verdade. Contudo, alegadamente cai, sem que por isso me caiam os parentes na lama, a hipótese de existirem infeções nos supermercados Pingo Doce da freguesia.

Deves ter reparado, amiga Berta que mudei a imagem principal nesta sequência da Carta de ontem. O desagrado à forma como a imagem estava composta pareceu-me por demais evidente e por isso tinha que ser trocada. Espero que a apresentação dos factos acalme os mais alarmados.

Infelizmente, eu, no meu caso concreto e pessoal, fiquei bem mais alarmado com os factos do que estava anteriormente. Primeiro o ritmo de crescimento de casos em Campo de Ourique (em 9 dias), num total de 13, parece-me imenso. E depois, tendo em conta a área de Campo de Ourique (1,65 quilómetros quadrados) e o número de habitantes, com uma densidade populacional de 13,4 mil pessoas, a segunda maior de todo o Concelho de Lisboa, depois de Arroios que tem 14,8 ainda fico mais preocupado.

Afinal, Santa Clara, que tem 3,36 quilómetros quadrados, ou seja, pouco mais do dobro da área de Campo de Ourique e sensivelmente o mesmo número de habitantes, na casa dos 22 mil, está confinada. Com uma densidade de 6,69 habitantes por quilómetro quadrado tem 110 casos ativos. Precisamente o dobro da nossa freguesia. Porém, tem também o dobro da área o que significa que, por quilómetro quadrado, temos tantos infetados ativos (55) como a única freguesia confinada do Concelho de Lisboa.

Não sei se me estou a deixar influenciar pelo facto de ser uma pessoa pertencente a 2 grupos de risco, mas sinto-me realmente preocupado com a situação. Mas cada caso é um caso e não quero que se pense que estou a fazer um grande alarde dos dados ou a tentar gerar qualquer tipo de pânico em quem quer que seja. Já basto eu. Os números estão na imagem que te mando e qualquer um, tal como eu fiz, pode fazer qualquer outro tipo de análise mais otimista.

Uma coisa é certa, amiga Berta, a situação é séria e recomendo a todos os máximos cuidados quando se deslocam por Lisboa, afinal, 1200 casos ativos, no Concelho, representam mais de 25% de todos os casos de Lisboa, desde o início da pandemia, ainda por resolver. Se todos os infetados cumprirem o confinamento os riscos serão bem menores. É o que desejo.

Por hoje fico-me por aqui, despeço-me com o habitual beijo de saudades, deste teu amigo de todos os dias, que não te esquece nunca,

 

Gil Saraiva

 

 

 

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