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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

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Carta à Berta: As Aventuras de um Vagabundo no Hospital Egas Moniz em Tempos de Covid - Parte V / VII - Os 3 Mosqueteiros - Libânio, o Sénior

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Olá Berta,

Ainda agarrado ao tema de ontem, As Aventuras de um Vagabundo no Hospital Egas Moniz, dedico hoje esta quinta parte ao terceiro dos mosqueteiros. Também passou pelo Hospital São Francisco Xavier, também fez o teste ao coronavírus e, mais uma vez, o resultado foi igualmente negativo. As diferenças maiores é que chegou 2 dias depois de nós e foi enviado para casa cerca de 4 dias depois de eu ter saído de lá. Assim:

3) Libânio:

A) O terceiro mosqueteiro, o Libânio era um respeitável senhor de 76 anos de idade, embora nunca afirmasse que os tinha. Ele preferia dizer que estava quase a fazer 77. Por algum motivo, a diferença na forma, para se referir aos seus já respeitáveis tempos passados no planeta Terra, parecia ganhar outra relevância, com a repetição do 7 e a omissão do 6. Na minha opinião, o facto de se ler a primeira vogal aberta no 7 era para ele algo de maior prestigio no que à idade dizia respeito. Talvez algo como o título de Sir para os ingleses. Cheguei a pensar que no dia em que fizesse 78 passaria a dizer que estava perto de chegar aos 79, usando assim, uma vez mais, a vogal aberta. Aliás continuando esse raciocínio, após os 79 iria ter 4 anos para afirmar que ainda estava longe ou perto de alcançar os 84. Na verdade esta opção era tão firme que poderia jurar que seria o caso.

B) Graças à sua categoria de mosqueteiro ancião, este nosso novo amigo já revelava certos sinais de muita vivência. Entre eles, destacaria o uso de próteses dentárias e a necessidade de usar óculos quer por miopia, quer por vista cansada. Um coração que requeria alguma vigilância e medicação diária e, por um triste azar, segundo o próprio, tinham-lhe sido detetadas, como a mim, calhaus na vesícula que, por enquanto, ainda não tinham avançado para qualquer manifestação mais nefasta. Porém, aquilo que lhe abalava o ego, o verdadeiro motivo que levara ao seu internamento, era a diabetes.

C) Libânio, tratava a diabetes como uma verruga chata e incomodativa. Uma chatice que o impedia, por vezes, de dar aso à sua veia de grande caçador, às suas visitas às meninas fofinhas e muito queridas, suas amigas dedicadas, que tinham o afinado dom musical para o trombone, efetuando maravilhosas composições de perfeito deleite, usando esse instrumento que fazia as delícias acústicas e outras do grande sénior ou, com irritante frequência, de realizar as suas famosas patuscadas com os seus tradicionais amigos da caça e de outras das suas muito energéticas atividades recreativas e lúdicas.

D) Fora a diabetes que lhe causara o internamento. Segundo ele, quando estava a calçar-se, reparou que tinha os dedos do pé direito escuros, com o dedo grande particularmente negro. Pelo médico soube que tinha gangrena.

E) Aquilo acontecera uns dias antes de ser internado. Não lhe doía, mas emanava um cheiro horrível a carne morta. Segundo o cirurgião, a gangrena parecia avançada em demasia, para poder ser tratada, e ele iria possivelmente perder os dedos desse pé. Ora isso poderia causar-lhe problemas de mobilidade e condicionar toda a sua frenética atividade. Não podia ser.

Vou ter de interromper as informações sobre o mosqueteiro sénior, Não quero ser chato a escrever demasiado num só dia. Amanhã continuo. Recebe um beijo de até mais, do teu amigo e camarada de sempre,

Gil Saraiva

 

 

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