Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: A Seleção Portuguesa de Futebol, CR7 e a Felicidade

seleção nacional.jpg

Olá Berta,

Estou a escrever-te para desabafar um pouco. Numa altura em que o Presidente Donald Trump está a ser alvo de investigação por parte do Senado, podendo esta levá-lo à destituição; num momento em que há hospitais em Portugal a fechar a sua urgência pediátrica durante a noite; numa ocasião em que existem mães a deitar bebés no lixo, quando seria fácil deixá-los numa igreja ou entregá-los à primeira pessoa que vissem, para que fossem encaminhados para quem deles pudesse cuidar; numa época assim tão estranha e perturbadora, hoje, eu, no meu egoísmo orgulhoso, só consigo pensar na Seleção Nacional de Futebol e no seu Capitão, Cristiano Ronaldo, vulgo CR7.

Reconheço que devia estar a sentir-me mais solidário e preocupado, e este meu sentimento não quer dizer que, no fundo, não esteja, mas eu sou um homem de esperanças e não de dramas. Sempre que aparece algo de bom, onde a minha consciência ou ego se podem agarrar, lá estou eu a trepar para cima dessa boia de salvação, qual naufrago que desesperadamente luta para sobreviver.

Poderás pensar que o meu egoísmo é pecado ou quase. Não faço ideia se o estarás a fazer. Acabo de me lembrar que não sei se és ou não uma pessoa religiosa. Nunca abordámos esse assunto. Mas, para o caso, isso é pouco relevante. Estou a falar de mim e não de ti. Ora, para mim, a felicidade constrói-se a partir das pequenas coisas, uma a uma, e, apesar de vivermos num mundo conturbado, há muita, mas mesmo muita, coisa boa a acontecer a todas as horas.

A minha alegria prende-se com os 6 a zero dados pela Seleção Portuguesa à Lituânia, ainda por cima coroados pelo facto de 3 desses golos serem de Cristiano Ronaldo, um benfiquista que, por força da necessidade de não largar os seus sonhos e objetivos de vida, acabou por ingressar profissionalmente na academia do Sporting e por se tornar um símbolo máximo desse clube. A vida é assim, não apenas para ele, mas para todos os que nunca desistem. As boias de salvação não se escolhem, agarram-se.

Quando, há poucos dias atrás, CR7 chegou ao seu golo 700, a comunicação social, ao mesmo tempo que enaltecia o facto, punha a correr uma afirmação de Pelé onde este falava dos seus mil duzentos e tal… golos. É aquele gostinho de picardia, que parece fazer o deleite da imprensa desportiva. É claro que todos sabem que Pelé se estava a referir aos golos que marcou desde a pré-primária, incluindo os jogos realizados com a sua turma de amigos no bairro onde cresceu, e não aos registados em jogos oficiais, pois desses, o craque, marcou, ainda assim, uns impressionantes 757. Já alguém perguntou ao Ronaldo quantos golos ele marcou desde que começou a jogar no Andorinha em 1993? Acho que não, nem isso interessa, afinal o que conta são mesmo os golos marcados em jogos oficiais enquanto jogador sénior profissional.

Existe outro jogador que reclama 1002 golos. Estou a falar de Romário, um outro fenómeno com bola, porém, mais uma vez, só tem realmente, na contabilidade que interessa, 761 ou 768 golos, conforme a contagem é feita por brasileiros ou terceiros.

Apesar de os brasileiros apenas contabilizarem 759 golos a Josef Bican, internacionalmente são-lhe atribuídos 805. É esse o número que CR7 persegue. Ainda faltam 100. É muito golo, sem dúvida alguma. Mas de cada vez que, nos próximos tempos, Cristiano marcar um golo, será mais um degrau nessa escada impressionante, onde a glória suprema se escreve com bolinhas através do número 806.

O atleta está agora apenas a 5 golos de ultrapassar a lenda Ferenc Puskás e a uma dúzia de se tornar o melhor marcador de sempre de uma seleção nacional, ao galgar sobre a marca do jogador Ali Daei, do Irão, que fez 109 golos em 149 jogos pela sua seleção, numa zona do globo onde marcar golos não tem o grau de dificuldade da Europa.

O degrau seguinte desta monumental escadaria será quando conseguir concretizar mais 53 golos, ultrapassando Pelé, depois mais 11 para deixar Romário para trás e, por fim, daqui a 101 golos chegar ao Olimpo e tomar o trono a Zeus, ou seja, a Josef Bican.

O meu orgulho em CR7, tem uma imensa dose de alegria associada. Não interessa se ele é bacoco, nacionalista ou tolo, é meu, como o é de muitos outros portugueses.

Mas voltando à Seleção Nacional de Futebol e, já agora, ao próximo jogo com a Seleção do Luxemburgo, proponho que se calem os arautos da desgraça e da calamidade que se atrevem a considerar a hipótese de Portugal não ganhar. A questão não é nem será nunca: e se Portugal não ganhar? Queremos é saber por quantos golos vai ganhar e, quantos desses, serão de Cristiano Ronaldo. Quantos? Pelo menos eu penso assim e isso deixa-me feliz por mais 3 dias. A felicidade faz-se das coisas mais simples do mundo, pelo menos a minha.

Despeço-me com muito carinho, recebe um beijo saudoso deste amigo que não te esquece,

Gil Saraiva

 

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

Em destaque no SAPO Blogs
pub