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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: A Minha Rua no Bairro de Campo de Ourique: A Minha Saída - Os Detalhes do Absurdo - Parte IV - Final

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Olá Berta,

Termino hoje a narrativa referente aos detalhes do absurdo que foi a minha saída da minha rua no bairro de Campo de Ourique e, seguidamente, a minha entrada nas urgências do Hospital São Francisco Xavier. Não penses, minha amiga, que ser paciente neste país é coisa simples. Há muita complexidade na situação de alguém se encontrar doente e necessitado do apoio de terceiros.

Para quem, como eu, tinha uma verdadeira fobia a hospitais, estava a ser um verdadeiro trabalho hercúleo fazer-me chegar a umas urgências. Devo ter feito umas 8 chamadas, em frente ao computador, entre dores atrozes, enquanto ia marcando os diferentes números de telefone das distintas corporações de bombeiros de Lisboa. A resposta foi sempre a mesma, estavam sem transportes. Tudo se encontrava no terreno e, infelizmente, não tinham qualquer previsão de disponibilidade.

Por fim, ao ligar para os bombeiros do Beato e Penha de França, o meu raciocínio pareceu querer funcionar. Fiz tudo diferente do que tinha feito até ali. Mal me atenderam informei que queria requisitar uma ambulância, uma vez que os bombeiros da minha zona, em Campo de Ourique, estavam com as viaturas todas no terreno e sem previsão de vagas. Quanto me custaria o serviço?

Do outro lado da linha pediram-me algumas informações sobre o meu problema e informaram-me que teriam transporte disponível dentro de uma hora a uma hora e meia. Servia para mim? Ah, como eu não era da zona deles o serviço custaria 30 euros. O que eu achava? Estava disposto a aguardar? Estava interessado? Respondi imediatamente que sim. A ambulância acabou por demorar apenas 45 minutos e 20 minutos depois os próprios bombeiros inscreviam-me nas urgências. Recebi pulseira amarela e 20 minutos depois fui admitido.

Durante a viagem, com muita paciência, os soldados da paz foram preenchendo o meu formulário, entregaram-me o recibo da minha despesa de transporte para o hospital e o troco dos 50 euros que entreguei, fizeram perguntas sobre todo o meu histórico clínico passado e presente, foram, posso afirmá-lo sem exagero, de um profissionalismo extremo, cuidado, interessado e verdadeiramente atento à minha condição de doente.

“Money talks…”, o dinheiro fala, cantavam os AC/DC ainda no século passado e com razão. Dei entrada no hospital perto da hora do jantar, mas estava, finalmente, a ser atendido. Com estes longos detalhes do absurdo me despeço, querida Berta, espero que tudo esteja bem contigo, recebe um beijo longínquo deste teu amigo,

Gil Saraiva

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