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Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: A Minha Rua no Bairro de Campo de Ourique: A Minha Saída - Os Detalhes do Absurdo - Parte III

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Olá Berta,

Vou voltar, mais uma vez aos detalhes do absurdo dos últimos 2 dias, uma vez que ainda não cheguei ao final, por mais idiota que tudo isto possa parecer. Afinal, tudo deveria ser bem mais simples, principalmente na altura em que precisamos de ajuda como de pão para a boca. Contudo, a realidade nunca é o que pensamos que deveria ser, por mais injusto ou estúpido que tudo nos pareça no momento. Se te lembras estávamos na fase dos telefonemas e é precisamente nesse mesmo ponto que retomo a narrativa relativa ao dia 3 de abril.

Da última vez que poisei o telefone achava-me totalmente de rastos. Devo ter chorado, entre espasmos de dor, mais de meia hora. Eram 3 da tarde quando tentei, novamente, o 112. Atenderam-me. Não falei muito do passado e apenas descrevi a minha dor, dizendo que já tinha tentado a ajuda deles de manhã e durante as horas de almoço. Para meu espanto, o homem disse que podia ser que sim, porém, não encontrava nos registos nenhum pedido meu. Mas isso não seria problema, iria passar-me ao INEM.

Achei que estava a perder o juízo. O senhor do INEM, muito agradável, escutou-me e, quando me respondeu, foi para me informar que eu não tinha qualquer anotação de pedido na instituição. Será que eu não tinha ligado diretamente para os bombeiros? Respondi que não.

O senhor estranhava muito o meu relato, mas, apesar disso, tinha entendido que a minha dor era persistente e que já durava há uns dias e ia tentar passar-me para os bombeiros, para que o problema ficasse resolvido. Teria de ter apenas alguma paciência.

Quando, ao fim de um largo compasso de espera, uma voz jovem me atendeu, foi apenas para me informar que estavam com as ambulâncias todas ocupadas. Pedia-me para voltar a tentar dali a uma hora e meia. Não era aquela a novidade que me interessava ouvir, contudo, era uma esperança. A minha primeira esperança. Agradeci e desliguei a chamada. Estava difícil chegar às urgências do Hospital São Francisco Xavier.

Acabei por ligar apenas 2 horas depois. As dores eram indescritíveis e não me permitiram fazer a chamada antes disso. Podia ser que tivesse chegado o meu momento. Numa situação em que eu estivesse na plenitude das minhas faculdades nada daquilo teria, por certo, acontecido, pensei.

Novamente, uma voz jovem, desta vez feminina, respondeu-me à ligação. Depois de me escutar, lá disse que lamentava imenso informar-me, porém, continuavam sem ambulâncias disponíveis. Eu já estava pronto para vociferar contra a coitada da telefonista, completamente cego por aquele contrassenso, quando a afável jovem me sugeriu para tentar outras corporações de bombeiros, tendo logo de seguida cortado a comunicação.

Ainda bem que ela desligou, sempre detestei ser mal-educado pelo telefone ou telemóvel. Aliás, dificilmente a rapariga poderia ter qualquer culpa no cartório. Minha querida amiga, fico-me por aqui, espero concluir os detalhes do absurdo já amanhã. Agradeço-te toda a paciência em escutares este teu velho compincha. Um abraço,

Gil Saraiva

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