Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Carta à Berta

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta é o local dos Desabafos de um Vagabundo, do Senhor da Bruma, essa bruma a que chamam de internet, de um Haragano, o Etéreo, qual cavalo selvagem que galopa entre cartas alegadamente, quiçá, sem fundamentos.

Carta à Berta: A Minha Rua no Bairro de Campo de Ourique: A Minha Saída - Os Detalhes do Absurdo - Parte II

Berta 164.jpg

Olá Berta,

Aqui estou eu para continuar o relato dos detalhes do absurdo da saída da minha rua no bairro de Campo de Ourique. Ontem fiquei a narrativa no momento em que fui informado que ninguém me viria buscar, lembras-te? Pois é, porém eu não desisto facilmente.

Para alguém com dores fortíssimas de estômago levar um murro daqueles era obra. Senti uma verdadeira pedra a ocupar-me toda a minha pança ou bandulho. O homem sugerira que apanhasse um táxi e fosse para o hospital. Era de malucos… eu não conseguia dar 3 passos a direito sem me encolher todo. Finalmente, depois de me escutar, lá achou que talvez eu pudesse chamar os bombeiros. Palavra de honra que aquele talvez, mexeu-me com os neurónios e com a minha dor. Agora parecia que a barra de dor era de aço inoxidável, inadvertidamente comecei a gemer que nem girafa a parir uma cria.

Ao me ouvir ganir o homem lá se decidiu a mandar-me ligar para os bombeiros. Terminada a chamada tive que arranjar um canto onde me encolher por alguns minutos. O raio da dor ocupava naquele momento 4 quintos do meu cérebro. Estive em posição fetal mais uns bons 15 minutos. Finalmente, com esforço, marquei o número dos bombeiros, a pensar que a minha espera chegara ao fim. Tudo aquilo era demasiado surreal para estar a acontecer.

A senhora que me atendeu foi muito simpática e depois de me ouvir, disse-me para aguardar em linha, pois tinha que ligar para o INEM. Achei aquilo surreal. Se eu lhe tinha acabado de informar que o INEM é que me mandara ligar para eles… tudo bem, dizia a voz feminina, porém, ela tinha mesmo que confirmar. Fazia tudo parte das novas regras. Tinha que ter paciência.

Finalmente, a resposta chegou. Não, o INEM não concordava comigo, pelo que não me poderiam vir buscar. Foi a primeira vez que o palavrão saiu. Era forte, gutural, profundo e trazia imensa revolta com ele. Desliguei e tornei ao 112, quem me atendeu reconheceu-me e informou-me que não iria passar ao INEM, afinal eu já sabia a objeção e desligou.

A tarde chegou e eu sem conseguir transporte, foi uma verdadeira batalha. Não! Batalhas. A cada derrota, dependendo do meu nível de dor, eu tinha que deixar o meu coeficiente de dor acalmar, como quem lambe as feridas da derrota, antes de partir para outra. Estava a chegar a um grau de desespero que se tornava insuportável.

Por hoje, fico-me por aqui, despeço-me com um beijinho amigo de amizade, o mesmo de todos os dias e sempre à tua disposição, com muita alegria no coração, pleno de saudades,

Gil Saraiva

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

Em destaque no SAPO Blogs
pub